Ciência

Atmosfera densa de Vênus é a responsável por inverter a rotação do planeta, revela estudo

27 de Maio de 2026 às 18:09

Estudo na Nature Astronomy indica que a densidade da atmosfera de Vênus reverteu a rotação do planeta para o sentido horário. A gravidade solar sobre a massa gasosa gerou torque e fricção, resultando em um giro de 243 dias terrestres

Atmosfera densa de Vênus é a responsável por inverter a rotação do planeta, revela estudo
Vênus gira na direção oposta à dos outros planetas do Sistema Solar. Atmosfera densa inverteu a rotação ao longo de bilhões de anos. Superfície chega a 475°C.

A densidade extrema da atmosfera de Vênus é a responsável por inverter a rotação do planeta, revelou um estudo publicado na Nature Astronomy. Diferente dos demais planetas do Sistema Solar, que giram no sentido anti-horário quando observados a partir do Polo Norte, Vênus realiza esse movimento no sentido horário. A descoberta indica que a gravidade do Sol, ao atuar sobre a massa atmosférica espessa, criou um efeito de torque e fricção que, ao longo de bilhões de anos, desacelerou e reverteu o giro original do planeta.

Esse fenômeno ocorre porque a atmosfera não acompanha perfeitamente a rotação do corpo celeste. A atração solar deforma as massas gasosas, gerando uma força de arrasto que age contra o movimento rotacional. Embora exista a teoria de que um impacto com outro corpo celeste teria alterado a trajetória de Vênus, a hipótese é considerada improvável por não justificar a lentidão extrema da rotação atual.

O movimento de Vênus é tão lento que o tempo necessário para completar uma única rotação sobre o próprio eixo é de 243 dias terrestres, superando a duração de seu ano, já que a órbita ao redor do Sol leva 225 dias. Na prática, essa dinâmica faz com que o Sol nasça no oeste e se ponha no leste.

As condições na superfície são as mais hostis entre os planetas rochosos do Sistema Solar. Com temperaturas médias de 475°C — calor suficiente para derreter zinco e chumbo —, Vênus é mais quente que Mercúrio, apesar de estar mais distante do Sol. O calor permanece constante entre o dia e a noite devido a uma atmosfera composta predominantemente por dióxido de carbono e nuvens de ácido sulfúrico, que retêm a temperatura por meio de um efeito estufa descontrolado.

Além do calor, a pressão atmosférica na superfície é 90 vezes superior à da Terra, o que equivale à pressão encontrada a 900 metros de profundidade nos oceanos terrestres. Essa força esmaga equipamentos que não possuam projeto específico; as sondas soviéticas Venera, enviadas entre as décadas de 1970 e 1980, resistiram por períodos que variaram entre 23 e 127 minutos.

A análise desse cenário sugere que Vênus pode ter abrigado oceanos e condições habitáveis bilhões de anos atrás, antes que o efeito estufa evaporasse a água e criasse a atmosfera densa atual. Para a ciência climática, o planeta serve como um exemplo extremo de como gases de efeito estufa podem aquecer a atmosfera e alterar permanentemente as condições de um mundo, tornando processos irreversíveis em escala geológica.

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