Aumento de missões orbitais torna a observação de estrelas espaciais um evento cotidiano nos Estados Unidos
O aumento de missões orbitais, especialmente da SpaceX, tornou comuns as estrelas espaciais nas costas dos Estados Unidos. A operação de lançamentos em massa migra da Flórida para o Texas e Louisiana, enquanto o primeiro voo orbital do Starship está previsto para 15 de setembro. O fenômeno também foi registrado na Noruega após o lançamento do *Isar Spectrum
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O aumento na frequência de missões orbitais transformou a observação de estrelas espaciais — colunas iridescentes deixadas por foguetes — em um evento cotidiano, especialmente nas regiões costeiras dos Estados Unidos. O fenômeno ocorre devido à ejeção de gases da etapa superior do foguete, geralmente após o desprendimento da etapa vazia, enquanto a missão se integra a uma órbita de transferência rumo à órbita geoestacionária.
A visibilidade desses rastros luminosos depende da geometria da observação. O efeito é mais intenso durante o amanhecer ou o anoitecer, aproximadamente uma hora antes ou depois do sol cruzar a linha do horizonte. Nesse cenário, enquanto o observador está sob céus escuros, o rastro do foguete, já acima da curvatura da Terra, é iluminado pela luz solar, assumindo formas que variam de cometas lentos a estruturas bulbosas com tentáculos.
Dinâmica de lançamentos e novas regiões de observação
O volume de missões atingiu recordes nos últimos cinco anos, com 203 lançamentos orbitais bem-sucedidos registrados até o momento em 2026. A maior parte dessas ocorrências está ligada à expansão da constelação Starlink, da SpaceX.
Houve, porém, uma mudança estratégica na logística de lançamento da empresa. A missão Starlink Grupo 10-49, realizada em 25 de agosto a partir da Costa Espacial da Flórida, pode ter sido a última nessa localidade. A SpaceX está migrando a operação de lançamento em massa para o foguete Starship, com base em Boca Chica, no Texas, e futuras instalações na Louisiana. Essa transição deve deslocar a frequência de estrelas espaciais para a região do Golfo do México e do Caribe.
Além disso, a empresa planeja o primeiro lançamento orbital do Starship para o dia 15 de setembro. Outras atividades mantêm a visibilidade do fenômeno na costa leste, como as missões Crew Dragon e Cargo Dragon destinadas à Estação Espacial Internacional, além da previsão de lançamentos do foguete Neutron, da Rocket Lab, a partir de 2027, na ilha de Wallops, Virgínia.
Observação global e fenômenos atmosféricos
Embora as plataformas americanas sejam os locais mais frequentes para o avistamento, o fenômeno é global. Recentemente, em 6 de setembro, o lançamento orbital do Isar Spectrum a partir de Andøya, no norte da Noruega, gerou uma estrela espacial no Ártico, marcando o primeiro sucesso de lançamento orbital a partir do continente europeu.
Em locais como Andøya e na base de Wallops, lançamentos suborbitais podem criar rastros deliberados ao liberar rastreadores para o estudo da atmosfera superior da Terra. Outro efeito visual comum após esses eventos são as nuvens noctilucentes, formações persistentes em tons neon que podem permanecer visíveis por até uma hora.
Critérios para avistamento
Para prever a aparição de uma estrela espacial, a análise deve focar em três fatores principais:
- Janela de tempo: Lançamentos previstos em um intervalo de duas horas em relação ao nascer ou pôr do sol.
- Azimute de lançamento: A direção da órbita; trajetórias que seguem a costa (como rumos nordeste a partir da Flórida) aumentam as chances de visibilidade.
- Janela de lançamento: Mesmo missões programadas para a madrugada podem ter janelas de até seis horas, prolongando-se até o crepúsculo.
As observações ocorrem em diversos pontos, desde a Base Espacial Vandenberg, na Califórnia, até a costa leste dos Estados Unidos e províncias marítimas do Canadá, com registros de visibilidade inclusive em Asheville, Carolina do Norte.