Ciência

Aumento de satélites em órbita pode prejudicar a observação do cosmos segundo estudo do ESO

27 de Agosto de 2026 às 18:01 2 min de leitura

Estudo do Observatório Europeu do Sul indica que a projeção de 1,7 milhão de satélites em órbita pode prejudicar a observação astronômica com rastros de luz. Atualmente existem 15 mil unidades, com crescimento impulsionado por serviços de internet via satélite. Simulações no Observatório de Paranal identificaram milhares de objetos iluminados visíveis após o pôr do Sol

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A expansão acelerada de constelações de satélites em órbita ameaça comprometer a capacidade de observação do cosmos. Um estudo realizado pelo Observatório Europeu do Sul (ESO), que mantém operações no norte do Chile, indica que a qualidade das fotografias do céu noturno e o funcionamento de observatórios podem ser prejudicados por rastros brilhantes de luz deixados por esses objetos.

Atualmente, existem aproximadamente 15 mil satélites em órbita. No entanto, as projeções analisadas apontam para o lançamento de mais de 1,7 milhão de unidades, incluindo modelos com alta luminosidade, o que causaria danos substanciais às atividades astronômicas.

Impactos nas observações espaciais

O problema reside na multiplicação desses rastros luminosos. Embora um único rastro represente um incômodo menor, o volume crescente de satélites obscurece partes da visão do espaço captada pelos telescópios. De acordo com o pesquisador Hainaut, a gravidade do impacto está diretamente ligada ao brilho e à quantidade de objetos em órbita; em um cenário com 300 mil satélites, alguns telescópios poderiam perder a maior parte de seus dados.

O crescimento do setor foi impulsionado, a partir de 2019, por serviços de internet via satélite, como o Leo, da Amazon, e o Starlink, da SpaceX.

Simulações e desafios técnicos

Para chegar a essas conclusões, o ESO utilizou simulações no Observatório de Paranal, localizado no Deserto de Atacama. O modelo testou a presença de uma constelação de até um milhão de satélites, identificando milhares de objetos iluminados visíveis acima do Very Large Telescope (VLT) logo após o pôr do Sol.

Apesar do alerta, os pesquisadores ressaltam que os benefícios da conectividade global não devem ser minimizados. O desafio atual consiste em equilibrar o progresso tecnológico com a preservação das descobertas científicas, especialmente porque o lançamento dos satélites ocorre em um ritmo mais acelerado do que o tempo necessário para a realização de pesquisas sobre seus impactos.

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