Ciência

Bactéria intestinal aumenta a resistência da lagarta-do-cartucho ao controle biológico por baculovírus

04 de Novembro de 2026 às 06:01 3 min de leitura

Estudo publicado na Pest Management Science indica que a bactéria Glutamicibacter soli aumenta a resistência da lagarta-do-cartucho ao baculovírus SfMNPV. O microrganismo preserva a matriz peritrófica intestinal ao estimular a produção da proteína peritrofina-1

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Bactéria intestinal aumenta a resistência da lagarta-do-cartucho ao controle biológico por baculovírus
Imagem ilustrativa gerada por Inteligência Artificial.

A identificação de um mecanismo de defesa da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) revela como a microbiota intestinal pode comprometer a eficácia do controle biológico agrícola. Um estudo liderado por Lin Guo, publicado na revista Pest Management Science, demonstrou que a bactéria Glutamicibacter soli, presente no sistema digestivo do inseto, aumenta a resistência da praga ao baculovírus SfMNPV.

O papel da bactéria na proteção intestinal

A pesquisa observou que a Glutamicibacter soli atua na preservação da matriz peritrófica, uma estrutura que reveste o sistema digestivo e separa o conteúdo intestinal das células de absorção de nutrientes. Essa barreira é fundamental para impedir que agentes infecciosos alcancem os tecidos do organismo da lagarta.

Para comprovar essa relação, a equipe científica realizou experimentos em etapas:

  • Redução da microbiota: O uso de antibióticos para diminuir a população de bactérias intestinais tornou as lagartas mais suscetíveis à infecção pelo baculovírus.
  • Reintrodução bacteriana: Ao reinserir a Glutamicibacter soli no intestino dos insetos, os pesquisadores registraram a recuperação da resistência ao vírus.
  • Testes com componentes: A aplicação de líquidos de crescimento bacteriano e componentes liberados após o rompimento das células da bactéria também resultou em maior proteção contra a infecção.

Mecanismos genéticos e a peritrofina-1

A investigação aprofundou-se na atividade genética para entender a manutenção da barreira protetora. Foi constatado que a redução das bactérias intestinais diminui a atividade de genes ligados à defesa imunológica, especificamente aquele responsável pela produção da peritrofina-1, proteína essencial para a organização da matriz peritrófica.

Utilizando a técnica de interferência de RNA (RNAi), os cientistas reduziram a expressão do gene da peritrofina-1. O resultado foi a perda da integridade da barreira intestinal, que se tornou mais permeável, deixando a lagarta-do-cartucho vulnerável ao ataque do baculovírus. A reintrodução da bactéria foi capaz de restaurar essa estrutura e reverter parcialmente as alterações genéticas causadas pela ausência da microbiota.

Perspectivas para o controle biológico

Embora a descoberta explique por que a eficiência dos baculovírus varia entre diferentes lagartas, o estudo ressalta que a eliminação dessas bactérias ainda não é uma solução pronta para aplicação em lavouras. Como os mecanismos foram identificados em condições experimentais, são necessárias novas avaliações de segurança e eficiência antes que o conhecimento se transforme em tecnologia de manejo.

A pesquisa abre caminho para que cientistas investiguem formas de superar a proteção intestinal da praga e aprimorem as estratégias de controle biológico. Esse avanço soma-se a outras iniciativas de biotecnologia agrícola, como os estudos da Embrapa com fungos da Caatinga para bioinsumos e o desenvolvimento de ferramentas digitais e drones com sensores para o monitoramento de pragas e doenças no campo.

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