Ciência

Biotecnologista cria processo que transforma resíduos orgânicos em bioplásticos biodegradáveis através de bactérias

11 de Julho de 2026 às 06:33

A biotecnologista Patricia Aymà Maldonado recebeu o Prêmio Princesa de Girona CreaEmpresa 2026 por desenvolver um processo que converte resíduos orgânicos em bioplásticos biodegradáveis. Através da empresa Benviro, a técnica utiliza bactérias para produzir polihidroxialcanoatos e outros materiais aplicados em setores como medicina, agricultura e embalagens

Biotecnologista cria processo que transforma resíduos orgânicos em bioplásticos biodegradáveis através de bactérias
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A utilização de bactérias para a produção de bioplásticos surge como uma alternativa viável ao impacto ambiental e sanitário dos polímeros derivados do petróleo, que liberam micropartículas capazes de se acumular no cérebro, na corrente sanguínea e na placenta humana, além de contaminarem o solo e a água. Nesse cenário, a biotecnologista Patricia Aymà Maldonado desenvolveu um processo que transforma resíduos orgânicos em materiais biodegradáveis, iniciativa que a levou a conquistar o Prêmio Princesa de Girona CreaEmpresa 2026.

O método baseia-se na capacidade de certas bactérias, como as do gênero *Cupriavidus*, *Lactobacillus* e *Bacillus subtilis*, de acumular gordura como reserva energética. Esse acúmulo é, na verdade, um polímero com comportamento semelhante ao plástico e ao poliéster, mas com a característica fundamental de ser degradável na natureza. Para otimizar a produção, as bactérias são submetidas a condições controladas de temperatura, pH, oxigênio e dieta específica.

Para viabilizar a escala industrial, Aymà fundou a empresa Benviro em 2017, junto a Noelia Márquez e Jordi Margarit. A companhia opera com sedes em Santa Perpètua de Mogoda, em Barcelona, e validou seu processo produtivo em Murcia, na fábrica da cervejaria Estrella de Levante. O modelo de negócio consiste em instalar-se onde o resíduo orgânico é gerado; no caso da cervejaria, os resíduos da fermentação servem de alimento para os microrganismos, convertendo descartes industriais em matéria-prima.

O resultado desse processo são os polihidroxialcanoatos (PHA), um material com aparência de areia branca. Por ser biocompatível e reconhecido pela natureza, o PHA é indicado para aplicações de alto valor agregado, como a fabricação de medicamentos e próteses, já estando em fase de testes para utensílios médicos.

Além do PHA, a Benviro produz filmes agrícolas, sacos para frutas e tampas de cosméticos utilizando bioplásticos semelhantes ao polipropileno (PP) e ao polietileno (PE). Embora esses materiais exijam compostagem industrial para a redução de emissões, eles apresentam uma pegada ambiental inferior aos derivados de petróleo. A empresa também já comercializou copos para eventos, como os utilizados na Pacha Ibiza, adaptando as fórmulas químicas para atender às necessidades específicas de rigidez, flexibilidade ou resistência térmica de cada cliente.

A estratégia industrial envolve a criação de "fazendas de bactérias", onde os microrganismos podem converter até 60% de sua massa corporal em bioplástico. O restante da biomassa é reaproveitado em processos de compostagem ou digestão anaeróbica, fechando o ciclo da matéria.

Atualmente, a Benviro negocia com mais de 30 empresas dos setores de embalagens, cosmética e alimentação, incluindo a Pujolasos. A transição para esses materiais enfrenta barreiras econômicas e a resistência da indústria petroquímica, mas a solução de Aymà mitiga um dos principais custos da biotecnologia: a dependência de glicose para alimentar as bactérias, substituindo-a por resíduos industriais.

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