Ciência

Brilho incomum no espaço profundo pode ter sido provocado por um buraco negro primordial

02 de Junho de 2026 às 09:27

Um brilho de 60 minutos em uma estrela da Grande Nuvem de Magalhães, detectado em 2019 pela Dark Energy Camera, sugere a presença de um buraco negro primordial. O objeto teria a massa de três luas terrestres e integraria o halo de matéria escura da Via Láctea

Brilho incomum no espaço profundo pode ter sido provocado por um buraco negro primordial
NASA/ESA/Gaia/DPAC

Um brilho incomum registrado no espaço profundo pode ter sido provocado por um buraco negro primordial, conforme detalha um artigo pré-publicado no arXiv. O evento, denominado Phoebe, manifestou-se como a amplificação da luz de uma estrela na direção da Grande Nuvem de Magalhães, durando aproximadamente 60 minutos antes de o astro retornar ao seu estado normal.

A detecção ocorreu em 2019, por meio da Dark Energy Camera (DECam), durante buscas por sinais de microlente gravitacional. A estabilidade das fontes luminosas próximas durante o episódio permitiu descartar falhas instrumentais, enquanto a natureza do brilho excluiu a possibilidade de supernovas, explosões estelares ou variações comuns de luminosidade.

A análise conduzida por Renee Key, da Swinburne University of Technology, indica que o objeto responsável pelo sinal possui a massa equivalente a três luas terrestres. Modelos do estudo sugerem que seu horizonte de eventos seria extremamente reduzido, assemelhando-se ao tamanho de um ponto final. Diferente dos buracos negros convencionais, que resultam do colapso de estrelas massivas, os primordiais teriam surgido logo após o Big Bang, originados de flutuações quânticas no espaço-tempo que criaram zonas de densidade extrema.

Como esses objetos não emitem luz e são pequenos demais para a observação direta, sua identificação depende da gravidade. Ao transitar diante de uma estrela distante, o objeto curva o espaço-tempo e funciona como uma lente natural, intensificando brevemente a luz da estrela ao fundo.

Cálculos dos autores apontam que o objeto Phoebe provavelmente integra o halo de matéria escura da Via Láctea, região com menor densidade populacional que o disco galáctico. Essa localização reduz a probabilidade de que o sinal tenha sido causado por um planeta errante, embora a hipótese não tenha sido totalmente descartada.

A confirmação de que Phoebe é, de fato, uma relíquia do início do universo depende agora de instrumentos com maior sensibilidade, como o telescópio espacial Roman e o Observatório Vera C. Rubin, que poderão dirimir a dúvida entre a existência de um buraco negro primordial ou de um objeto menos exótico.

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