Brilho incomum no espaço profundo pode ter sido provocado por um buraco negro primordial
Um brilho de 60 minutos em uma estrela da Grande Nuvem de Magalhães, detectado em 2019 pela Dark Energy Camera, sugere a presença de um buraco negro primordial. O objeto teria a massa de três luas terrestres e integraria o halo de matéria escura da Via Láctea
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Um brilho incomum registrado no espaço profundo pode ter sido provocado por um buraco negro primordial, conforme detalha um artigo pré-publicado no arXiv. O evento, denominado Phoebe, manifestou-se como a amplificação da luz de uma estrela na direção da Grande Nuvem de Magalhães, durando aproximadamente 60 minutos antes de o astro retornar ao seu estado normal.
A detecção ocorreu em 2019, por meio da Dark Energy Camera (DECam), durante buscas por sinais de microlente gravitacional. A estabilidade das fontes luminosas próximas durante o episódio permitiu descartar falhas instrumentais, enquanto a natureza do brilho excluiu a possibilidade de supernovas, explosões estelares ou variações comuns de luminosidade.
A análise conduzida por Renee Key, da Swinburne University of Technology, indica que o objeto responsável pelo sinal possui a massa equivalente a três luas terrestres. Modelos do estudo sugerem que seu horizonte de eventos seria extremamente reduzido, assemelhando-se ao tamanho de um ponto final. Diferente dos buracos negros convencionais, que resultam do colapso de estrelas massivas, os primordiais teriam surgido logo após o Big Bang, originados de flutuações quânticas no espaço-tempo que criaram zonas de densidade extrema.
Como esses objetos não emitem luz e são pequenos demais para a observação direta, sua identificação depende da gravidade. Ao transitar diante de uma estrela distante, o objeto curva o espaço-tempo e funciona como uma lente natural, intensificando brevemente a luz da estrela ao fundo.
Cálculos dos autores apontam que o objeto Phoebe provavelmente integra o halo de matéria escura da Via Láctea, região com menor densidade populacional que o disco galáctico. Essa localização reduz a probabilidade de que o sinal tenha sido causado por um planeta errante, embora a hipótese não tenha sido totalmente descartada.
A confirmação de que Phoebe é, de fato, uma relíquia do início do universo depende agora de instrumentos com maior sensibilidade, como o telescópio espacial Roman e o Observatório Vera C. Rubin, que poderão dirimir a dúvida entre a existência de um buraco negro primordial ou de um objeto menos exótico.