Ciência

Buracos nas muralhas de Pompéia são resultado de uso de arco automático por romanos em 89 d.C., descobrem pesquisadoras italianas

27 de Março de 2026 às 11:11

Pesquisadoras italianas publicaram um estudo sobre os buracos nas muralhas norte de Pompéia. O trabalho sugere que esses buracos são resultado do uso de arcos automáticos pelos romanos em 89 d.C., conforme descrito pelo filósofo Filão de Bizâncio. A equipe utilizou tecnologias avançadas para analisar as marcas e criar modelos virtuais dos projéteis

Buracos nas muralhas de Pompéia são resultado de uso de arco automático por romanos em 89 d.C., descobrem pesquisadoras italianas
S. B - Rossi et al., Heritage

Pesquisadoras italianas desvendam segredos dos misteriosos buracos nas muralhas de Pompéia

Uma equipe de pesquisadoras da Universidade de Campania Luigi Vanvitelli e da Universidade de Bolonha, lideradas por Adriana Rossi, Silvia Bertacchi e Veronica Casadei, recentemente publicaram um estudo inovador no periódico Heritage. O trabalho visa elucidar a origem dos buracos nas muralhas norte de Pompéia, localizada entre as entradas para Vesúvio e Ercolano.

Com o auxílio de tecnologias avançadas como scanner laser terrestre e fotogrametria de alta precisão, os pesquisadores concluíram que esses buracos são provavelmente resultado do uso de uma espécie de arco automático durante o cerco da cidade italiana em 89 a.C. pelos romanos.

O estudo sugere que as marcas encontradas nas muralhas correspondem ao padrão de dano característico desse tipo de arma, conforme descrito pelo filósofo e engenheiro Filão de Bizâncio no século III a.C.. O arco automático era uma catapulta de torção que utilizava fibras naturais para acumular energia antes do disparo. Com um mecanismo de transmissão tipo alavanca, esse equipamento automatizava todo o ciclo: tensão, carga e disparo.

Os impactos nas muralhas apresentam-se como pequenas cavidades quadradas dispostas em formato de abanho na parede norte da cidade. A equipe utilizou um scanner a laser Leica ScanStation P30 para documentar o contexto geral das muralhas e capturar as marcas com precisão milimétrica.

A análise digital dos impactos foi realizada por meio de reconstrução inversa, combinando nuvens de pontos, malhas de alta resolução e simulações. Com esses dados, os pesquisadores criaram modelos virtuais que lhes permitiram inferir a geometria exata dos projéteis.

A hipótese das pesquisadoras é que o arco automático foi utilizado pelos romanos para atingir alvos em movimento com precisão suficiente. A equipe planeja integrar uma reconstrução funcional do equipamento no Parque Arqueológico de Pompéia, tanto física quanto digitalmente, por meio de experiências de realidade aumentada e virtual.

Se a hipótese for confirmada pelos estudos em andamento realizados pelo Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia italiano, isso poderá alterar significativamente nossa compreensão da sofisticação tecnológica do armamento romano durante a República.

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