Cabeça de tigre da Tasmânia confundida com raposa é identificada em peça de taxidermia
Uma peça de taxidermia do século XIX, inicialmente confundida com uma raposa, foi identificada como um tilacino após análises anatômicas e exames de imagem. O exemplar, adquirido por 62.600 libras, foi validado pelo International Thylacine Specimen Database. Pesquisadores da Universidade de Melbourne planejam extrair pó ósseo dos dentes para análise de DNA
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Um exemplar de tilacino, espécie também conhecida como tigre da Tasmânia, foi identificado em uma peça de taxidermia que, por décadas, foi confundida com a cabeça de uma raposa. O achado ocorreu após o comerciante britânico James Cranfield adquirir o item em um leilão, inicialmente anunciado por 60 euros.
A suspeita surgiu durante a análise de fotografias ampliadas da peça, catalogada como um exemplar do século XIX. A percepção de que o animal não era um cánido levou Cranfield a investigar a anatomia do espécime, focando especialmente na dentição. Enquanto raposas possuem seis incisivos superiores, a peça apresentava oito, característica anatômica específica do Thylacinus cynocephalus.
Validação científica e valor de mercado
A descoberta atraiu a atenção de outro colecionador, resultando em uma disputa que elevou o valor final do item para 62.600 libras. Para confirmar a autenticidade da peça e descartar erros de identificação, foram realizados exames de radiografia e tomografia computadorizada.
As imagens revelaram um crânio preservado em estado prístino sob a montagem da taxidermia. A análise foi validada por Stephen Sleightholme, diretor do International Thylacine Specimen Database (ITSD), que confirmou o diagnóstico com base nas evidências radiográficas do crânio e dos dentes. O exemplar foi oficialmente integrado ao banco de dados internacional, que atualmente cataloga mais de 800 espécimes da espécie, incluindo órgãos, peles e esqueletos.
Potencial para estudos genéticos
Além do valor histórico, a cabeça do marsupial carnívoro oferece oportunidades para a ciência. Pesquisadores da Universidade de Melbourne, liderados por Brandon Menzies, indicam que é possível extrair cerca de 100 miligramas de pó ósseo dos dentes por meio de técnicas minimamente invasivas.
Esse material pode ser utilizado para a análise do DNA do tigre da Tasmânia, ampliando a compreensão sobre a diversidade genética de uma espécie que habitou a Austrália e a Nova Guiné, mas que ficou restrita à Tasmânia antes de sua extinção. Embora a coleta de material não seja vista como um passo decisivo para projetos de desextinção, ela agrega dados valiosos ao registro biológico do animal.
Contexto histórico e procedência
O tilacino foi perseguido entre os séculos XIX e XX devido a crenças sobre ataques ao gado, período em que o governo da Tasmânia oferecia recompensas por animais abatidos. O último indivíduo da espécie morreu em um zoológico da Tasmânia em 7 de setembro de 1936.
Atualmente, a origem da peça adquirida por Cranfield permanece desconhecida. Não se sabe se o exemplar pertenceu a um caçador, se originou-se do programa de recompensas ou se integrou coleções anteriores antes de chegar ao Reino Unido. Para tentar rastrear a procedência, há planos de analisar a madeira do suporte da taxidermia. O proprietário pretende preservar a aparência original da peça, permitindo apenas testes científicos que sejam não destrutivos.