Ciência

Cabelos brancos podem ser um mecanismo de defesa do organismo para evitar a formação de tumores

22 de Agosto de 2026 às 12:07

Pesquisadores da Universidade de Tóquio identificaram que o surgimento de cabelos brancos funciona como um mecanismo de defesa celular. O estudo com ratos indica que a perda de pigmentação impede a divisão de células com DNA danificado, reduzindo a chance de formação de tumores

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Cabelos brancos podem ser um mecanismo de defesa do organismo para evitar a formação de tumores
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A perda de pigmentação dos fios de cabelo pode ser, na verdade, um mecanismo de defesa do organismo para evitar a formação de tumores. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Tóquio, publicado na revista Nature Cell Biology, indica que o surgimento dos cabelos brancos está vinculado a uma proteção celular contra danos genéticos.

O mecanismo de proteção celular

A investigação, realizada com modelos de rato, focou no comportamento das células-tronco do folículo capilar ao enfrentarem rupturas nas fibras de DNA. Os cientistas observaram que, diante desses danos, as células interrompem seu processo de regeneração e passam por uma diferenciação acoplada à senescência.

Esse processo transforma as células-tronco em células diferenciadas, o que resulta na perda da cor do cabelo. A função primordial dessa reação é impedir que células com DNA danificado continuem se dividindo, reduzindo a probabilidade de que essas mutações evoluam para a criação de tumores.

O equilíbrio entre envelhecimento e câncer

A pesquisa revelou que a resposta celular varia conforme o estímulo e o microambiente. Enquanto a senescência previne o câncer, a exposição a determinados agentes cancerígenos pode fazer com que as células ignorem esse bloqueio e mantenham a capacidade de renovação. No entanto, essa manutenção da regeneração eleva o risco de proliferação celular descontrolada, evidenciando a relação entre o envelhecimento capilar e a prevenção do câncer.

Nesse contexto, a professora Emi Nishimura explica que a mesma população de células-tronco pode seguir caminhos opostos — a expansão ou o esgotamento — dependendo do estresse sofrido. Assim, o surgimento de fios brancos e o desenvolvimento de melanomas seriam desfechos distintos de uma mesma resposta do corpo a agressões genéticas.

Implicações biológicas e medicinais

Embora os resultados não indiquem que a presença de cabelos brancos impeça a doença, eles demonstram que o corpo prioriza a estabilidade genética em detrimento da pigmentação. Esse fenômeno explica a incidência de fios brancos em períodos de maior estresse ambiental e celular.

Apesar de a análise ter sido feita exclusivamente em animais, a descoberta oferece subsídios para compreender a ligação entre a senescência celular, o envelhecimento e o câncer em seres humanos. O estudo abre caminhos para novas investigações em medicina regenerativa e estratégias de prevenção oncológica.

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