Ciência

Café da manhã melhora a qualidade da dieta de adolescentes sem aumentar a ingestão calórica

27 de Julho de 2026 às 06:14

Estudo com 128 jovens entre 14 e 21 anos indica que a inclusão do café da manhã melhora a qualidade da dieta sem aumentar a ingestão calórica total. A pesquisa, apresentada no congresso NUTRITION 2026, registrou maior consumo de fibras, ferro, zinco e colina, além de reduzir a ingestão de açúcares. Os resultados foram mais expressivos no grupo que consumiu 30 gramas de proteína

Café da manhã melhora a qualidade da dieta de adolescentes sem aumentar a ingestão calórica
Adobestock

A introdução do café da manhã na rotina de adolescentes que costumavam pular a primeira refeição do dia altera a qualidade da dieta sem elevar a ingestão total de calorias. O achado é resultado de um estudo controlado com 128 jovens, entre 14 e 21 anos, que omitiam essa refeição ao menos seis vezes por semana.

Os dados foram apresentados no congresso NUTRITION 2026, da Sociedade Americana de Nutrição, nos Estados Unidos. Como o trabalho ainda não passou por revisão por pares nem foi publicado em revista científica, as conclusões são preliminares.

Impacto na composição nutricional

A pesquisa demonstrou que a inclusão da refeição matinal promoveu um aumento no consumo de fibras, ferro, zinco e colina. Paralelamente, houve uma redução na ingestão de doces, balas e sobremesas.

O estudo dividiu os voluntários em três grupos: um manteve o hábito de não comer ao acordar, enquanto os outros dois receberam refeições com 15 ou 30 gramas de proteína. Os resultados foram mais expressivos no grupo que consumiu 30 gramas de proteína, que apresentou:

  • Maior ingestão de proteínas, colina e ferro;
  • Redução mais acentuada de açúcares adicionados em produtos industrializados, bebidas e sobremesas.

Para monitorar a adesão, a equipe pesou as embalagens das refeições — que incluíam itens como quesadillas, burritos, vitaminas de frutas e ovos mexidos — antes e depois do consumo, além de utilizar recordatórios alimentares das últimas 24 horas. Mais de 90% dos alimentos fornecidos foram consumidos, com avaliações realizadas no início, após três meses e após seis meses de acompanhamento.

Regulação do apetite e nutrientes essenciais

A análise afastou a hipótese de que a adição de uma refeição aumentaria o total de calorias diárias, já que os três grupos mantiveram níveis semelhantes de ingestão energética. A mudança ocorreu na escolha dos alimentos: ao iniciarem o dia com uma refeição planejada, os jovens consumiram nutrientes essenciais e reduziram a busca por produtos ricos em gordura e açúcar.

A proteína pode ter auxiliado na prolongação da saciedade, embora o estudo não atribua o efeito a um único nutriente, visto que as refeições também continham vitaminas e minerais. Os nutrientes destacados possuem funções críticas no crescimento juvenil:

  • Ferro: essencial para a hemoglobina e transporte de oxigênio, prevenindo anemia e fadiga.
  • Zinco: atua na cicatrização, crescimento e sistema imunológico.
  • Fibras: auxiliam no controle do colesterol, da glicose e na regulação intestinal.
  • Colina: fundamental para a comunicação entre neurônios e formação de membranas celulares.

Recomendações e limitações

O estudo ressalta que a qualidade da composição é determinante. Refeições baseadas em biscoitos ou bebidas açucaradas não oferecem os mesmos benefícios que opções equilibradas, que podem ser montadas com iogurte, ovos, queijos, feijão, aveia, frutas e cereais integrais, sem a necessidade de suplementos.

A meta de 30 gramas de proteína não deve ser vista como universal, pois as necessidades variam conforme o peso, idade e nível de atividade física de cada indivíduo.

Os pesquisadores pontuam que os benefícios foram observados especificamente em jovens que tinham o hábito de não comer pela manhã. A pesquisa não avaliou prevenção de doenças, desempenho escolar ou perda de peso, e parte dos dados dependeu da memória dos participantes.

As próximas etapas da investigação pretendem analisar se a proteína no café da manhã altera a intensidade dos desejos alimentares e a frequência de pensamentos sobre comida, incluindo na amostra adultos que interromperam o uso de medicamentos agonistas de GLP-1 (utilizados para obesidade e diabetes).

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