Camada mineral de calcita preservou pinturas rupestres de 37 mil anos na caverna de Chauvet
Uma camada de calcita preservou pinturas rupestres de 37 mil anos na caverna de Chauvet, na França. O estudo publicado na ACS Omega identificou que o mineral formou um escudo transparente sobre as obras. A análise foi realizada via luz ultravioleta para evitar danos ao sítio arqueológico
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Uma camada mineral natural é a razão por trás da preservação excepcional das pinturas rupestres na caverna de Chauvet, na França. O estudo, publicado na revista científica ACS Omega, revelou que as obras, que retratam animais da Era do Gelo e datam de aproximadamente 37.000 anos, estão protegidas por um escudo mineral que impede a deterioração.
O mecanismo de proteção natural
A análise identificou a presença de calcita na superfície rochosa, mineral que se acumulou gradualmente através da água que escorria pelas paredes da caverna. Esse processo criou um verniz transparente que isolou as representações de mamutes, leões cavernos e rinocerontes das estepes por milênios.
Para chegar a essa conclusão, a equipe científica utilizou luz ultravioleta para iluminar o Painel dos Cavalos a distância. A técnica revelou uma fluorescência azulada, característica da calcita. Além disso, a observação de tonalidades laranja em certas áreas sugere que os artistas pré-históricos podem ter utilizado carvão com pontas aquecidas para a execução de traços específicos.
Preservação e desafios arqueológicos
A caverna, descoberta em 1994, permaneceu isolada de qualquer presença humana por mais de 30.000 anos. Atualmente, o acesso é rigorosamente controlado por uma porta de aço, evitando a degradação causada por visitas turísticas, problema que comprometeu a integridade de outros sítios, como Altamira e Lascaux, com a proliferação de mofo.
A metodologia de análise remota foi fundamental, pois o piso da caverna contém registros arqueológicos sensíveis, como pegadas humanas de uma criança do período Gravetiense. A impossibilidade de tocar nas paredes ou caminhar sobre certas áreas tornou a iluminação ultravioleta a única via segura para estudar os pigmentos e a composição mineral sem colocar em risco o patrimônio.