Cepas da Febre Tifoide se tornam Resistentes aos Antibióticos em Regiões do Sul da Ásia
A febre tifoide está ganhando novas características preocupantes, com cepas resistentes aos antibióticos aumentando em países do sul da Ásia. Um estudo publicado na revista The Lancet Microbe revelou que 3.489 genomas bacterianos coletados entre 2014 e 2019 apresentaram resistência a antibióticos, incluindo fluoroquinolonas e cefalosporinas. A Organização Mundial da Saúde enfatiza a necessidade de ampliar o acesso às vacinas para conter essa ameaça
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A febre tifoide volta à cena com um novo desafio: cepas resistentes aos antibióticos
A doença que foi considerada controlada nos países desenvolvidos está ganhando novas características preocupantes. Um estudo recente publicado na revista The Lancet Microbe revela o aumento da resistência a antibióticos em cepas de Salmonella enterica serovar Typhi, bactéria responsável pela febre tifoide.
A pesquisa analisou 3.489 genomas bacterianos coletados entre 2014 e 2019 no Nepal, Bangladesh, Paquistão e Índia. Os cientistas detectaram um aumento constante de variantes classificadas como XDR (extensivamente resistentes a fármacos), que não apenas resistem aos antibióticos clássicos quanto também mostram perda de sensibilidade frente às fluoroquinolonas e cefalosporinas.
A disseminação internacional dessas cepas é um risco adicional. Desde 1990, foram documentados cerca de 200 casos de dispersão fora do sul da Ásia, com presença no Sudeste Asiático, África Oriental e Meridional, bem como em países desenvolvidos como o Reino Unido, EUA e Canadá.
Jason Andrews, pesquisador em doenças infecciosas da Universidade de Stanford, alertou sobre a necessidade urgente de ampliar as medidas de prevenção. "A velocidade com que surgiram e se disseminaram cepas altamente resistentes é um verdadeiro motivo de preocupação", destacou.
O problema não é novo. A primeira cepa XDR foi identificada no Paquistão em 2016, e apenas três anos depois tornou-se o genótipo dominante naquele país. As mutações que conferem resistência a quinolonas já representavam mais de 85% dos casos em vários países do sul da Ásia nos inícios dos anos 2000.
Até agora, apenas um antibiótico oral é considerado eficaz: a azitromicina. No entanto, o estudo aponta para o surgimento de mutações associadas à resistência a este fármaco, ameaçando a eficácia dos antimicrobianos orais.
A Organização Mundial da Saúde já pré-classificou quatro vacinas conjugadas contra a febre tifoide e vários países incorporaram a imunização sistemática em seus calendários infantis. Os especialistas enfatizam que ampliar o acesso às vacinas e reforçar a vigilância epidemiológica é essencial para conter essa ameaça.
Os dados disponíveis mostram mais de 13 milhões de casos em todo o mundo, com uma taxa estimada de mortalidade sem tratamento chegando a 20%. A febre tifoide volta à cena como um desafio que requer atenção imediata e coordenadas para evitar consequências graves.