Ciência

Cerrado armazena até 1.200 toneladas de carbono por hectare em suas áreas úmidas

16 de Março de 2026 às 09:11

Um estudo da Universidade Estadual de Campinas revelou que as áreas úmidas do Cerrado podem armazenar até 1.200 toneladas de carbono por hectare, superiores às encontradas em muitas florestas tropicais. Esses ambientes alagados desempenham papéis fundamentais no ciclo da água e no armazenamento de carbono. A conservação dessas áreas é essencial para manter o estoque de carbono protegido, evitando a liberação do dióxido de carbono na atmosfera

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas revelou que áreas úmidas no Cerrado podem armazenar quantidades significativas de carbono, superiores às encontradas em muitas florestas tropicais. De acordo com os resultados publicados na revista científica New Phytologist, esses ambientes alagados podem estocar até 1.200 toneladas de carbono por hectare.

Essa descoberta é importante porque mostra que o Cerrado não deve ser visto apenas como uma savana aberta, mas sim como um sistema complexo com diversos ecossistemas interligados, incluindo áreas úmidas e solos orgânicos. Esses ambientes desempenham papéis fundamentais no ciclo da água, na biodiversidade e no armazenamento de carbono.

Os pesquisadores identificaram depósitos orgânicos profundos em algumas dessas áreas úmidas do Cerrado, que funcionam como verdadeiros bancos de carbono. Em alguns locais, a concentração chegou ao valor impressionante de 1.200 toneladas de carbono por hectare.

Para efeito de comparação, a biomassa média da floresta amazônica costuma armazenar cerca de 150 a 200 toneladas de carbono por hectare na vegetação viva. Isso significa que determinadas áreas úmidas do Cerrado podem conter várias vezes mais carbono do que grandes extensões de floresta tropical, embora esse carbono esteja principalmente enterrado no solo.

A conservação dessas áreas úmidas é essencial para manter esse gigantesco estoque de carbono protegido. A expansão agrícola e a drenagem de solos podem liberar rapidamente o carbono acumulado ao longo de milhares de anos, contribuindo para o aumento das concentrações de gases de efeito estufa.

A descoberta dos estoques gigantes de carbono em áreas úmidas do Cerrado reforça a importância científica e ambiental do bioma. Os resultados podem ter implicações importantes para a forma como os cientistas calculam os estoques globais de carbono, mostrando que regiões consideradas secundárias em termos de biomassa podem desempenhar papéis fundamentais na regulação do clima do planeta.

A preservação dessas áreas úmidas é fundamental para manter a estabilidade climática e ajudar a reduzir o impacto das emissões de gases de efeito estufa. Além disso, essa descoberta reforça a necessidade de incluir o Cerrado com maior destaque nas estratégias globais de conservação climática.

Os cientistas alertam que essas áreas úmidas devem ser protegidas para evitar a liberação do carbono acumulado ao longo dos milênios. Se preservadas, elas continuarão funcionando como um cofre natural de carbono, ajudando a manter parte do dióxido de carbono fora da atmosfera.

Essa descoberta é importante não apenas para o Brasil, mas também para todo o planeta, pois mostra que os solos orgânicos de áreas úmidas podem armazenar volumes gigantescos de carbono. Isso significa que a conservação desses ambientes deve ser uma prioridade global.

A pesquisa demonstra ainda mais a complexidade e importância do Cerrado como um sistema ecológico, reforçando a necessidade de proteger essas áreas úmidas para manter o equilíbrio climático.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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