Ciência

China desenvolve sistema de interface cérebro-computador baseado em ressonância magnética para pesquisas e medicina

30 de Agosto de 2026 às 18:10 2 min de leitura

A China desenvolveu o uMR Shenguan, sistema de interface cérebro-computador que integra captura, decodificação e modulação de sinais neurais via ressonância magnética. Criada pela Universidade de Tianjin e Shanghai United Imaging Healthcare, a plataforma combina resolução temporal de milissegundos com precisão espacial inferior a um milímetro. O dispositivo visa aplicações em pesquisas e áreas médicas, como reabilitação motora e psiquiatria

-0:00
China desenvolve sistema de interface cérebro-computador baseado em ressonância magnética para pesquisas e medicina
Wikimedia Commons

A China desenvolveu o uMR Shenguan, um sistema de interface cérebro-computador baseado em ressonância magnética que integra, em uma única plataforma, a captura de sinais neurais, a decodificação, a modulação cerebral e a análise de resultados. O projeto é fruto de uma parceria entre a Universidade de Tianjin e a Shanghai United Imaging Healthcare, com o objetivo de transpor essa tecnologia do ambiente laboratorial para o uso em pesquisas e aplicações médicas.

Funcionamento e Diferenciais Técnicos

Diferente de modelos convencionais, que conectam scanners de ressonância a interfaces independentes, o uMR Shenguan opera em um circuito fechado. O dispositivo registra a atividade cerebral, interpreta os dados, intervém em funções específicas e analisa a resposta do tecido cerebral, transformando a ressonância magnética em mais do que um instrumento de diagnóstico por imagem.

A plataforma resolve a dificuldade de conciliar a velocidade de detecção do sinal com a localização exata da atividade. Para isso, o sistema combina:

  • Resolução temporal de milissegundos para captar a atividade neuronal.
  • Precisão espacial inferior a um milímetro para o estudo de estruturas cerebrais.

Para garantir a qualidade dos dados, o hardware inclui ferramentas compatíveis com campos magnéticos que reduzem interferências entre a interface e o equipamento de ressonância. O sistema também compensa distorções no campo magnético que costumam degradar as imagens quando há componentes implantados no paciente.

Avanços na Neurociência e Aplicações

A integração entre técnicas de imagem e interfaces cérebro-computador é impulsionada por decodificadores baseados em inteligência artificial, processamento de sinais em tempo real, sequências rápidas de imagem e ressonância magnética de campo ultraalto. Segundo Ming Dong, diretor do Laboratório Haihe de Interação Cérebro-Computador e Integração Homem-Máquina, a solução permite que a pesquisa evolua da simples decodificação de sinais para a compreensão profunda do cérebro, sincronizando a observação e a intervenção.

O objetivo técnico é permitir o estudo controlado das mudanças cerebrais pós-intervenção. Com a expectativa de expansão dessas tecnologias na China até 2026, as aplicações previstas abrangem:

  • Saúde: reabilitação motora, psiquiatria, oftalmologia, audiologia e cuidados neurológicos críticos.
  • Outros setores: segurança industrial, melhora do sono, educação, esporte e videogames.

Notícias Relacionadas