Ciência

China lança em operação primeiro protótipo de reator que usa resíduos nucleares para gerar energia

09 de Março de 2026 às 12:12

China vai colocar em operação primeiro protótipo comercial de reator que usa resíduos nucleares para gerar energia, na província de Cantão. O sistema desenvolvido pela China opera em estado subcrítico e depende de um fluxo externo de nêutrons produzido por acelerador. A tecnologia promete maior controle operacional e eficiência na utilização do urânio, podendo reduzir drasticamente o tempo que os resíduos continuam perigosos

A China está prestes a colocar em operação o primeiro protótipo comercial de um reator capaz de usar resíduos nucleares para gerar energia, um passo importante na busca pela independência energética e neutralidade de carbono. O projeto será instalado em Huizhou, na província de Cantão, no sudeste do país.

O sistema desenvolvido pela China é chamado de Sistema Acionado por Acelerador (SAA) e opera em estado subcrítico, o que significa que não consegue sustentar sozinho uma reação em cadeia. Para funcionar, depende de um fluxo externo de nêutrons produzido por um acelerador de partículas.

Essa tecnologia promete mais controle operacional e uma nova rota para lidar com os resíduos nucleares perigosos e duradouros. O sistema também consegue converter o urânio 238 em plutônio 239, que é um combustível físsil, permitindo a utilização de material visto como resíduo nos modelos tradicionais.

A proposta chinesa visa reduzir drasticamente o tempo em que os resíduos continuam perigosos. Atualmente, essa vida útil pode chegar a centenas de milhares de anos e a China pretende encurtar esse horizonte para apenas algumas centenas de anos.

A eficiência do sistema é outro ponto forte da tecnologia chinesa. Segundo especialistas, o SAA pode usar o urânio com uma eficiência 100 vezes maior que os reatores convencionais e ajudar a transformar a energia nuclear em uma fonte verde, segura e estável durante 1.000 anos.

A China iniciou as pesquisas nessa área em 2011 e desenvolveu um protótipo considerado adequado para aplicações industriais em 2021. Agora, o salto previsto é para um protótipo de 1 megavatio com inauguração planejada para 2027.

Se a China concluir esse projeto dentro do prazo estabelecido, Huizhou pode se tornar um dos principais pontos da corrida nuclear mundial. Isso não apenas mudará a matriz energética chinesa como também reforçará sua presença em tecnologias críticas para o futuro.

A Europa e outros países estão trabalhando em projetos semelhantes, mas ainda há muito a ser feito antes de se alcançar uma escala industrial. A China está na vanguarda dessa corrida e seu sucesso pode mudar a leitura estratégica sobre quem liderará a próxima fase da energia nuclear.

A tecnologia desenvolvida pela China é um passo importante para reduzir o tempo em que os resíduos nucleares continuam perigosos. Além disso, ela promete uma maior eficiência na utilização do urânio e pode ajudar a transformar a energia nuclear em uma fonte verde.

A construção de um protótipo com potência real é o próximo passo para que a China se estabeleça como líder nessa área. A Europa, Japão, Índia, Coreia do Sul e Rússia também têm programas ativos de pesquisa e desenho em andamento.

A corrida nuclear mundial está prestes a ganhar uma nova dimensão com o desenvolvimento da tecnologia chinesa. Isso não apenas muda a matriz energética como também reforça a presença chinês no xadrez energético global.

Notícias Relacionadas