Ciência

China lança missão para coletar amostras de asteroide e trazê-las para a Terra

09 de Abril de 2026 às 15:19

A China lançou em maio de 2025 a missão Tianwen-2 para coletar entre 100 gramas e 1 quilograma de material do asteroide 469219 Kamoʻoalewa. O retorno das amostras à Terra está previsto para 2027, seguido por uma viagem ao cometa 311P/PanSTARRS com chegada em 2035

A China colocou em operação a missão Tianwen-2, lançada em maio de 2025 a partir do Centro de Lançamento de Xichang. O objetivo central da operação é alcançar o asteroide 469219 Kamoʻoalewa para a coleta e o posterior retorno de amostras à Terra, marcando a primeira tentativa do programa espacial chinês de recuperar material de um asteroide.

O alvo da missão é um corpo celeste de dimensões reduzidas, medindo entre 40 e 100 metros, classificado como um quase satélite da Terra por orbitar o Sol em trajetória próxima ao planeta. O interesse científico no Kamoʻoalewa reside em estudos espectrais que sugerem uma composição semelhante à de rochas lunares, o que levanta a hipótese de que o asteroide seja, na verdade, um fragmento ejetado da Lua após um impacto antigo.

Para garantir a obtenção do material, a sonda utiliza um sistema híbrido de coleta. A estratégia combina a captura de partículas na superfície com a extração de material subsuperficial, técnica que permite acessar amostras menos alteradas pela exposição ao ambiente espacial. A meta é recolher entre 100 gramas e 1 quilograma de material.

O cronograma prevê que a nave chegue ao asteroide em 2026, realizando as operações de coleta no mesmo ano. A etapa final de retorno, considerada um dos maiores desafios da engenharia espacial moderna, culminará na reentrada de uma cápsula na atmosfera terrestre em 2027. Esse processo exige rigoroso controle de ângulo de entrada, velocidade e proteção térmica para preservar a integridade das amostras.

Diferente de operações convencionais, a Tianwen-2 terá a sua jornada prolongada. Após a liberação da cápsula de retorno, a sonda seguirá em direção ao cometa ativo 311P/PanSTARRS, localizado no cinturão principal e com características híbridas entre asteroides e cometas. A chegada a esse novo alvo está prevista para 2035, transformando a missão em um projeto de longa duração com mais de uma década de atividade no espaço profundo.

Essa ofensiva robótica chinesa ocorre simultaneamente ao programa Artemis II, dos Estados Unidos, que foca no retorno de astronautas à vizinhança lunar. Enquanto a abordagem americana prioriza a presença humana e a infraestrutura para bases lunares, a estratégia de Pequim concentra-se na coleta de dados e materiais para ampliar o conhecimento sobre o Sistema Solar.

O cenário reflete a nova dinâmica da exploração espacial, onde a busca por autonomia tecnológica e liderança global divide-se entre missões tripuladas de alto impacto simbólico e operações robóticas de precisão, integradas a um setor espacial que já movimenta centenas de bilhões de dólares e envolve forte participação de empresas privadas.

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