Ciência

China planeja transformar milhares de minas desativadas em hortas subterrâneas para a produção de alimentos

08 de Setembro de 2026 às 12:11 3 min de leitura

A China planeja converter milhares de minas desativadas em hortas subterrâneas para produzir alimentos. O projeto prevê reaproveitar a infraestrutura de jazidas de carvão, com a estimativa de fechar 15 mil minas até 2030. Testes de cultivo de alface já ocorrem em Daye a 245 metros de profundidade

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China planeja transformar milhares de minas desativadas em hortas subterrâneas para a produção de alimentos
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A China planeja transformar milhares de minas desativadas em hortas subterrâneas para criar sistemas de produção de alimentos resilientes a desastres naturais e mudanças climáticas. O projeto visa reaproveitar a infraestrutura de túneis, redes elétricas e sistemas de ventilação de jazidas de carvão, evitando a construção de novas instalações.

Em Daye, a viabilidade do modelo já é testada com o cultivo de alface a 245 metros de profundidade sob luz artificial. A escala pretendida é massiva: a estimativa é que, até 2030, o país feche cerca de 15 mil minas, o que disponibilizaria um volume de espaço subterrâneo de 7,2 bilhões de metros cúbicos. Entre 2010 e 2019, Pequim já havia encerrado as atividades de 12 mil minas.

Viabilidade técnica e controle ambiental

Um estudo de viabilidade conduzido pelo Centro de Engenharia para o Desenvolvimento Verde e de Alta Eficiência dos Recursos de Shanxi, publicado na revista China Mining Magazine, analisou a gestão de luz, temperatura e água no subsolo.

A ausência de luz solar é compensada pela robusta infraestrutura elétrica das minas, que permite a instalação de sistemas de iluminação artificial calibrados para cada espécie. Já a temperatura é considerada um ponto positivo, pois o subsolo é menos afetado por variações sazonais. Para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, os pesquisadores propõem o uso de energia geotérmica como fonte de calor.

O modelo prevê a organização do cultivo por profundidades, utilizando diferentes níveis dos túneis para ajustar a umidade, o calor e a luz conforme a necessidade de cada planta.

Tratamento de resíduos e irrigação

A proposta inclui a recuperação de águas contaminadas por óleos lubrificantes e fluidos hidráulicos, resíduos comuns em minas fechadas que podem infiltrar-se em falhas geológicas e ameaçar lençóis freáticos.

A criação de laboratórios agrícolas subterrâneos incentivaria o tratamento dessas águas. Através de processos de separação por membranas ou adsorção, águas com alta concentração de metais pesados e sulfatos poderiam ser purificadas para irrigar culturas tolerantes à acidez, como o chá e a canola.

Aplicações experimentais e espaciais

Embora a visão de longo prazo seja a produção de alimentos, o objetivo imediato é a implementação de uma plataforma experimental de engenharia agrícola. Esse ambiente controlado servirá para estudar o comportamento do carbono, ar, água, calor e luz antes de qualquer expansão comercial.

Essa metodologia de agricultura em ambiente fechado também é vista como um passo preparatório para a exploração do espaço profundo. Os testes realizados nas minas de Shanxi serviriam de base para desenvolver a manutenção de ecossistemas e a produção de comida em ambientes extraterrestres, como Marte ou a Lua.

Iniciativas globais

A tendência de agricultura subterrânea também ocorre no Reino Unido. Em North Yorkshire, foi implementada a maior fazenda do gênero no mundo, situada a mais de 1.000 metros de profundidade em uma mina de polihalita.

A prática de utilizar minas para suprir a demanda global de alimentos já era defendida em 2018 por Saffa Riffat, presidente da World Society of Sustainable Energy Technologies, contando na época com o apoio de mineradores britânicos e do governo chinês.

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