Ciência

China recupera foguete de classe orbital pela primeira vez utilizando sistema de captura por rede

10 de Julho de 2026 às 06:09

A China recuperou, nesta sexta-feira (10), o propulsor do foguete Long March 10B por meio de um sistema de captura por rede em plataforma marítima. O veículo, lançado do centro espacial de Hainan, transporta ao menos 16 toneladas para a órbita terrestre baixa. O teste valida tecnologias para missões lunares tripuladas previstas até 2030

China recupera foguete de classe orbital pela primeira vez utilizando sistema de captura por rede
VCG / China Manned Space Agency

A China alcançou a primeira recuperação bem-sucedida de um foguete de classe orbital nesta sexta-feira (10), utilizando um sistema experimental de captura por rede em uma plataforma marítima. O propulsor do foguete Long March 10B, desenvolvido pela Academia Chinesa de Tecnologia de Veículos de Lançamento para o setor comercial, retornou verticalmente e foi interceptado cerca de seis minutos após a separação do estágio superior. O lançamento ocorreu às 12h15 (horário local) a partir do centro espacial de Hainan.

Diferente do modelo Falcon 9 da SpaceX, que utiliza pernas extensíveis para pousos autônomos, o Long March 10B emprega "ganchos de pouso" para se fixar à rede da plataforma. O veículo é capaz de levar ao menos 16 toneladas métricas para a órbita terrestre baixa. O sucesso do teste valida tecnologias que serão aplicadas à família Long March 10, voltada para as missões lunares tripuladas previstas até 2030, com a expectativa de que o estágio de propulsão deste foguete seja reutilizado em um novo lançamento ainda este ano.

O avanço ocorre após quase dez anos de pesquisas chinesas em reutilização, que evoluíram de voos estacionários em baixa altitude para tentativas orbitais. O país busca reduzir os custos de lançamento para suas constelações de satélites comerciais em expansão e diminuir a dependência tecnológica dos Estados Unidos. No cenário global, a SpaceX realizou o primeiro pouso orbital de um Falcon 9 em dezembro de 2015, operando atualmente cerca de 150 lançamentos anuais com propulsores reutilizados diversas vezes. A Blue Origin tem previsão de pouso com o New Glenn para novembro de 2025.

A corrida tecnológica na China envolve tanto a estatal China Aerospace Science and Technology Corporation quanto empresas privadas, como a LandSpace, que, junto à estatal, enfrentaram falhas na etapa final de recuperação em dois testes realizados no ano passado. Para acelerar esse desenvolvimento, o governo chinês flexibilizou as regras de abertura de capital (IPO) para companhias do setor aeroespacial captarem recursos. A notícia do êxito no teste refletiu imediatamente no mercado financeiro, elevando as ações da China Spacesat e da China Satellite Communications aos seus limites diários de alta.

Notícias Relacionadas