China reserva mais de 200 mil espaços orbitais junto à União Internacional de Telecomunicações
A China reservou entre 200 mil e 244 mil espaços orbitais na União Internacional de Telecomunicações, volume superior aos 1.900 satélites que possui. Paralelamente, a SpaceX detém mais de 80% da massa orbital global com 10.653 satélites ativos e planeja expandir a frota para 42 mil até 2030

A China reservou junto à União Internacional de Telecomunicações (ITU) mais de 200 mil espaços orbitais, com estimativas que chegam a 244 mil. O volume de reservas é 128 vezes superior ao número de satélites que o país mantém atualmente em órbita, totalizando entre 1.300 e 1.900 unidades. Essa estratégia gera questionamentos sobre a ocupação desnecessária do espectro, especialmente diante de limitações na capacidade de lançamento real, como observado no centro espacial comercial de Hainan, que opera com apenas duas plataformas ativas, cada qual limitada a 16 lançamentos anuais.
A flexibilidade das normas da ITU contribui para esse cenário, pois as exigências de implantação são graduais: 10% em nove anos, 50% em 12 anos e a totalidade em 14 anos. Enquanto tenta expandir sua presença, a China desenvolve a constelação Qianfan através da Spacesail, que já lançou até 200 satélites.
Em contrapartida, a SpaceX domina a massa orbital global, detendo mais de 80% desse volume desde 2023. A empresa americana possui 10.653 satélites ativos e planeja expandir essa frota para 42 mil até 2030. A eficiência logística é sustentada pelo Falcon 9, que transporta 17,4 toneladas de carga para a órbita baixa da Terra (LEO) e comporta 27 satélites V2 por voo. O novo Starship ampliará essa capacidade, permitindo a implantação de até 60 satélites V3 por missão.
A expansão da SpaceX também avança para a computação de IA com o satélite AI1, fabricado na unidade Gigasat, no Texas. O modelo conta com painéis solares retráteis, radiadores líquidos, proteção contra meteoritos, módulo de computação centralizado e suporte para carga de computação de até 150 kW.
Embora a China possua um histórico de escalonamento industrial acelerado, a disparidade entre sua infraestrutura atual e a meta de lançamentos para os próximos 14 anos permanece como um ponto de debate técnico, mesmo comparada ao ritmo de crescimento da SpaceX.