China utiliza fibra de basalto para conter o avanço do deserto de Taklamakán
A China utiliza fibra de basalto para conter o avanço do deserto de Taklamakán e preservar terras férteis. A medida, liderada pelo Instituto de Ecologia e Geografia do Xinjiang, visa aumentar a eficiência do controle em 50% e reduzir custos em 30%
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A China implementou o uso de fibra de basalto para conter o avanço do deserto de Taklamakán, no extremo oeste do país, visando a preservação de terras férteis e a segurança alimentar nacional. O material, produzido a partir de rocha vulcânica fundida em altas temperaturas para a criação de filamentos, foi selecionado por sua alta performance e custo inferior ao da fibra de carbono, conforme dados da Universidade Têxtil de Wuhan.
A eficácia da fibra de basalto em ambientes hostis foi comprovada em 2024, durante a missão lunar Chang'e 6. Na ocasião, o material foi utilizado na confecção da bandeira chinesa implantada no lado oculto da Lua, resistindo a radiações ultravioletas intensas e temperaturas extremas sem perder a pigmentação. Essa resistência é a base para a aplicação no Taklamakán, o maior deserto da China e o segundo maior deserto de areia em movimento do mundo, onde materiais convencionais sofrem deterioração acelerada.
A iniciativa integra os esforços do projeto Grande Muralha Verde, que já utiliza redes de palha e vegetação resistente à seca na região autônoma de Xinjiang. Agora, o Instituto de Ecologia e Geografia do Xinjiang (XIEG), vinculado à Academia Chinesa de Ciências, lidera projetos de nova geração para a gestão da erosão eólica e prevenção da desertificação. Além do basalto, os engenheiros incorporam cinzas volantes — resíduos de usinas de carvão — para a produção de tijolos e outros materiais de construção.
A estratégia de recuperação ambiental em Xinjiang também foca no combate à salinização do solo no sul da região. Sob a coordenação do pesquisador Xiao Huijie, do XIEG, estão sendo desenvolvidos sistemas de irrigação inteligentes para a remoção de sal, drenagens via poços verticais e tubulações subterrâneas, além da otimização de florestas que servem como barreiras contra o vento. Todo o monitoramento é assistido por um sistema de diagnóstico inteligente para alertas precoces sobre riscos de salinidade e areia.
De acordo com Pei Liang, cientista chefe do projeto de novos materiais do XIEG, a expectativa é que essas inovações elevem a eficiência das obras de controle em 50% e reduzam os custos operacionais em 30%. Paralelamente ao uso terrestre, a fibra de basalto segue em estudo para a construção da Estação Internacional de Pesquisa Lunar no polo sul da Lua, prevista para ser estabelecida por China e Rússia até 2035, aproveitando a abundância desse mineral no satélite.