Ciência

Chuva de meteoros Oriônidas atinge pico de visibilidade e pode ser observada até novembro

23 de Outubro de 2026 às 15:00 3 min de leitura

A chuva de meteoros Oriônidas, originada por detritos do cometa Halley, teve seu pico de visibilidade na madrugada de quinta-feira (22). O fenômeno, observável a olho nu até o início de novembro, apresenta fragmentos que convergem da constelação de Órion

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Chuva de meteoros Oriônidas atinge pico de visibilidade e pode ser observada até novembro
Divulgação/Observatório Nacional

A chuva de meteoros conhecida como Oriônidas atingiu seu ápice de visibilidade na madrugada da última quinta-feira (22), embora a observação de fragmentos rasgando o céu permaneça possível até o início de novembro. O fenômeno ocorre quando a Terra se alinha a um ponto do espaço onde a concentração de detritos é maior, intensificando a frequência de estrelas-cadentes.

Origem e dinâmica do fenômeno

As Oriônidas são compostas por partículas de poeira, matéria rochosa e orgânica, como silicatos, deixadas pelo cometa Halley. Esse cometa, que visita a Terra a cada 76 anos, libera esses detritos através de um processo de sublimação ao se aproximar do Sol, transformando matéria sólida em gás e desprendendo fragmentos em sua órbita.

Quando esses resíduos, chamados de meteoroides enquanto estão no espaço, interceptam a órbita terrestre, entram na atmosfera a velocidades superiores a 60 quilômetros por segundo. O efeito luminoso resultante da combustão desses fragmentos na atmosfera é o que define o meteoro. Caso a partícula não seja totalmente desintegrada e atinja a superfície do planeta, ela passa a ser classificada como meteorito.

O nome da chuva deriva da perspectiva de observação na Terra, onde os meteoros parecem convergir da direção da constelação de Órion, que abriga as Três Marias. No entanto, a constelação serve apenas como um plano de fundo distante, não possuindo relação física com os fragmentos do Sistema Solar.

Ciclos e próximos eventos astronômicos

O rastro do cometa Halley gera duas chuvas de meteoros anuais: as Oriônidas, em outubro, e as Aquáridas, em maio, que aparentam vir da constelação de Aquário.

Para o restante de 2026, o Brasil terá a oportunidade de observar outros quatro eventos semelhantes:

  • Tauríadas: pico próximo a 9 de novembro;
  • Leônidas: pico entre 17 e 18 de novembro;
  • Geminídeas: pico na noite de 13 para 14 de dezembro;
  • Ursídeas: visíveis nos dias 22 e 23 de dezembro, com direção às Ursas Maior e Menor.

Guia de observação

A visualização ideal ocorre durante a madrugada, entre 01h30 e o nascer do sol, com uma estimativa de até 20 meteoros por hora. Para maximizar a experiência, é fundamental evitar locais com alta poluição luminosa, como grandes centros urbanos. A luminosidade da Lua também interfere; fases como a Lua nova, minguante ou crescente são preferíveis à Lua cheia, que pode ofuscar o brilho dos meteoros.

Diferente do que se costuma acreditar, o uso de telescópios é contraindicado, pois o instrumento limita o campo de visão a apenas uma parte da atmosfera, dificultando a captura do fenômeno. A recomendação é a observação a olho nu, deitado em local escuro e orientado para a constelação de Órion. No hemisfério Sul, as Três Marias servem como ponto de referência.

Para auxiliar na localização dos pontos cardeais e na identificação de astros, ferramentas tecnológicas como o aplicativo Sky Tonight podem ser utilizadas. Em São Paulo, o Planetário Ibirapuera oferece uma alternativa para quem não consegue visualizar o céu limpo, reproduzindo a sensação de observar meteoros sem interferências externas.

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