Cidade do México afunda 50 centímetros por ano, vítima de subsidência induzida por bombeamento excessivo
A Cidade do México está sofrendo com a subsidência induzida por bombeamento de aquíferos, afundando em média 50 centímetros por ano. O fenômeno é impulsionado principalmente pela agricultura intensiva irrigada e pode ser encontrado em outras áreas como China, Estados Unidos e Irã. A perda irreversível de infraestrutura geológica natural tem consequências ambientais significativas para a disponibilidade de água e o aumento global do nível do mar
A Cidade do México, um dos principais centros urbanos da América Latina, está sofrendo com uma crise silenciosa e irreversível: a subsidência induzida por bombeamento de aquíferos. Desde o início do século XX, a cidade retira água do aquífero que sustenta seus 22 milhões de habitantes em uma velocidade superior à capacidade natural de recarga.
Esse processo é conhecido como subsidência e ocorre quando os poros microscópicos dos sedimentos argilosos finos se fecham, comprimindo a argila e as camadas que formam o solo. A cidade afunda em média 50 centímetros por ano, com partes do centro histórico tendo caído mais de 9 metros desde o início do século passado.
Mas a Cidade do México não é um caso isolado. Um estudo publicado na revista Nature Communications em novembro de 2023 identificou que aproximadamente 73% das áreas com subsidência significativa estão localizadas sob países como China, Estados Unidos e Irã. O fenômeno é impulsionado principalmente por agricultura intensiva irrigada.
A análise utilizou dados de radar interferométrico por satélite (InSAR), medições de campo e algoritmos de machine learning para estimar o fenômeno em escala planetária com resolução de 2 km por 2 km. O número encontrado é estruturalmente alarmante: o planeta está perdendo 17 quilômetros cúbicos de capacidade permanente de armazenamento de água subterrânea por ano.
Isso significa que estamos não apenas retirando água, mas também destruindo espaço físico subterrâneo que nunca mais poderá armazenar água. O estudo concluiu que a subsidência é praticamente irreversível e que o aquífero Ogallala, um dos principais reservatórios da América do Norte, pode se tornar inutilizável nas próximas duas décadas.
A crise não é apenas limitada à Cidade do México ou ao Ogallala. Outros casos incluem Jacarta, Xangai e Tucson, Arizona, onde a gestão ativa e decisão política têm ajudado a estabilizar os aquíferos. No entanto, o fator comum em todos esses casos é a necessidade de mudanças nas políticas agrícolas e urbanas para evitar que o subsolo continue cedendo silenciosamente.
A perda irreversível de infraestrutura geológica natural não apenas afeta a disponibilidade de água, mas também tem consequências ambientais significativas. A subsidência é um dos principais contribuintes para o aumento global do nível do mar e está ampliando a elevação costeira.
É hora de reconhecer que a crise da água não é apenas uma questão de falta de recursos, mas também de perda irreversível de infraestrutura geológica natural. É necessário um esforço conjunto para mudar as políticas agrícolas e urbanas e proteger os aquíferos antes que seja tarde demais.