Ciência

Cientista chinês é condenado após criar as primeiras gêmeas geneticamente modificadas do mundo

17 de Setembro de 2026 às 09:01 3 min de leitura

O biofísico chinês He Jiankui foi condenado a três anos de prisão após utilizar a técnica CRISPR para modificar geneticamente embriões de duas gêmeas visando a proteção contra o HIV. A condenação ocorreu por a intervenção ter ultrapassado limites éticos, enquanto a comunidade científica critica a falta de acesso aos dados de saúde das crianças

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Cientista chinês é condenado após criar as primeiras gêmeas geneticamente modificadas do mundo
Reprodução/TV Globo

A manipulação do DNA humano em embriões tornou-se um dos temas mais controversos da biotecnologia após o biofísico chinês He Jiankui anunciar, em 2018, o nascimento de duas gêmeas geneticamente modificadas. O pesquisador utilizou a técnica CRISPR para alterar o material genético das crianças ainda na fase embrionária, com o objetivo de conferir a elas uma suposta proteção contra o vírus HIV.

A revelação, feita durante um congresso científico, provocou a condenação de He Jiankui por um tribunal da China, que o sentenciou a três anos de prisão. A punição ocorreu sob o entendimento de que o biofísico ultrapassou limites éticos fundamentais, especialmente porque os embriões não possuíam doenças que justificassem a intervenção experimental e a tecnologia utilizada ainda estava em estágio inicial de desenvolvimento.

Impactos e incertezas da edição genética

O experimento é visto como um marco nos riscos da engenharia genética, mas seus resultados reais permanecem desconhecidos. O médico geneticista Salmo Raskin aponta que a comunidade científica não obteve acesso às crianças nem a dados suficientes para analisar as consequências da intervenção. Essa falta de informações verificáveis sobre a saúde das meninas intensificou as críticas ao estudo.

O episódio transformou a edição de embriões em um tema tratado com extrema cautela globalmente. Existe um temor generalizado de que modificações hereditárias possam gerar efeitos imprevisíveis para as gerações futuras, tornando a prática um tabu em diversos centros de pesquisa.

A tecnologia CRISPR e o mapeamento genético

A ferramenta CRISPR permite a alteração de sequências específicas do DNA ligadas a características biológicas ou patologias. O funcionamento baseia-se na correção de erros no material genético humano, que é composto por cerca de 25 mil genes e 3 bilhões de letras químicas. Muitas vezes, a correção de uma única alteração nessa sequência é capaz de restaurar a função de um gene.

Esses avanços são reflexos de pesquisas iniciadas com o Projeto Genoma Humano, lançado em 1990 e concluído em 2003. O mapeamento completo da sequência do DNA acelerou a criação de novas terapias e tornou os exames genéticos mais acessíveis e rápidos.

Perspectivas e limites éticos

Atualmente, a ciência continua investigando a aplicação da edição genética em embriões para evitar doenças hereditárias graves. No entanto, as pesquisas contemporâneas diferem do caso chinês por operarem sob rigorosos controles éticos e sem a implantação dos embriões em úteros humanos.

A expectativa é que a tecnologia evolua para a correção de mutações severas antes do nascimento. Paralelamente, persiste o debate sobre a fronteira entre a finalidade médica e o risco de a técnica ser utilizada para modificações com propósitos não terapêuticos.

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