Ciência

Cientistas chineses estabelecem novo recorde mundial de resfriamento de gás quântico na estação espacial Tiangong

06 de Novembro de 2026 às 12:01 3 min de leitura

Cientistas chineses atingiram o recorde mundial de resfriamento de gás quântico ao alcançar 9,7 picokelvins na estação espacial Tiangong. O experimento utilizou cerca de 20 mil átomos de rubídio-87 e foi publicado na revista Science. A marca supera o registro anterior de 38 picokelvins

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Cientistas chineses estabelecem novo recorde mundial de resfriamento de gás quântico na estação espacial Tiangong
A equipe científica da estação Tiangong produziu um gás de rubídio com temperatura equivalente de 9,7 picokelvins. Registro divulgado pela Academia Chinesa de Ciências.

Cientistas chineses estabeleceram um novo recorde mundial de resfriamento de gás quântico ao atingir a temperatura de 9,7 picokelvins. O experimento, realizado na estação espacial Tiangong, utilizou uma nuvem de aproximadamente 20 mil átomos de rubídio-87 para alcançar a marca de 9,7 trilionésimos de kelvin acima do zero absoluto (0 K ou -273,15 °C).

O resultado, detalhado em estudo publicado na revista Science em novembro de 2026 e anunciado pela Academia Chinesa de Ciências, supera a marca anterior de 38 picokelvins, obtida em experimentos de queda livre. A temperatura foi determinada por meio do cálculo da energia de movimento dos átomos, observando a lentidão com que a nuvem se expandia após ser liberada.

A vantagem da microgravidade orbital

A principal diferença entre este experimento e as tentativas terrestres é a microgravidade. Na Terra, a gravidade faz com que a nuvem de átomos caia rapidamente quando a armadilha que os prende é enfraquecida, exigindo forças adicionais que limitam a redução da energia das partículas.

Na estação espacial, onde os equipamentos estão em queda livre contínua, os pesquisadores conseguiram:

  • Reduzir a força de confinamento dos átomos sem que a queda interferisse na medição.
  • Monitorar a expansão livre da nuvem por sete segundos, tempo significativamente superior aos dois segundos registrados no recorde anterior.

Processo de resfriamento e técnica óptica

Para atingir esse estado, a equipe utilizou uma armadilha óptica, que emprega feixes de laser para manter os átomos suspensos sem a necessidade de barreiras físicas. O processo ocorreu em etapas:

  1. Inicialmente, cerca de 23 mil átomos foram resfriados a 3,1 nanokelvins, atingindo o estado de condensado de Bose-Einstein, onde as partículas compartilham o mesmo comportamento quântico.
  2. A amostra foi transferida para uma armadilha óptica mais ampla.
  3. A intensidade do confinamento foi reduzida gradualmente, permitindo que átomos com maior energia escapassem e diminuíssem a energia média do grupo restante.

Essa metodologia, baseada em luz laser, oferece a vantagem de ser adaptável a diferentes tipos de átomos, diferentemente de técnicas que dependem exclusivamente de campos magnéticos.

Engenharia e infraestrutura espacial

O sistema de átomos ultrafrios foi instalado no módulo experimental Mengtian em outubro de 2022, fruto de um projeto iniciado em 2011 por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade de Pequim.

A complexidade do equipamento exigiu uma miniaturização rigorosa. O laboratório original, que pesava dez toneladas e ocupava 20 metros cúbicos, foi compactado para um módulo de 500 quilos e 0,7 metro cúbico. Apesar da redução, o sistema mantém dispositivos de alto vácuo, lasers estáveis e controles ópticos precisos, essenciais para evitar que vibrações ou oscilações ambientais comprometam a medição de energias minúsculas.

Aplicações e a corrida científica

O experimento coloca a China à frente de outros marcos, como os registros de aproximadamente 52 picokelvins obtidos no laboratório de átomos frios da NASA, na Estação Espacial Internacional.

A capacidade de manter átomos em temperaturas tão baixas por mais tempo abre caminho para o desenvolvimento de sensores quânticos mais precisos, especificamente os interferômetros atômicos. Esses instrumentos são capazes de detectar variações mínimas de gravidade e aceleração, sendo fundamentais para pesquisas sobre navegação, gravitação e testes de princípios básicos da física.

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