Cientistas criam cães que não produzem a principal proteína causadora de alergias em humanos
A empresa Kindred Companion Sciences utilizou a ferramenta CRISPR para eliminar a proteína Can f 1 em duas cadelas beagle. O procedimento de edição genética impediu a produção do principal alérgeno canino, resultado validado por teste cutâneo em voluntário humano
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Cientistas da empresa americana Kindred Companion Sciences conseguiram, pela primeira vez, eliminar a proteína responsável pela maioria das reações alérgicas em humanos em cães vivos. A técnica de edição genética resultou no nascimento de duas cadelas da raça beagle, chamadas Alfie e Bailey, que não produzem o principal alérgeno canino.
A tecnologia por trás da edição genética
Para alcançar o resultado, a equipe utilizou a ferramenta CRISPR, uma tecnologia de precisão que atua como uma tesoura molecular. O processo consistiu em localizar e cortar o gene responsável pela produção da proteína Can f 1 em células de um feto de beagle.
Esse corte gerou uma mutação chamada frameshift, que altera a leitura do gene e impede que a célula fabrique a proteína. Após a edição, as células foram utilizadas para clonar os animais através da transferência nuclear de célula somática, método similar ao que originou a ovelha Dolly em 1996.
O mecanismo da alergia canina
A proteína Can f 1 é produzida nas glândulas da língua e da saliva dos cães. Como os animais se lambem constantemente, a substância se espalha pelo pelo e pela caspa. Em pessoas alérgicas, o sistema imunológico identifica essa proteína como uma ameaça e produz anticorpos IgE, desencadeando sintomas como:
- Espirros e coceira;
- Olhos vermelhos;
- Crises de chiado no peito.
A descoberta revela que mesmo raças consideradas hipoalergênicas, que soltam menos pelos, ainda produzem a proteína, mantendo o potencial de causar reações alérgicas.
Resultados e monitoramento
As filhotes nasceram em setembro de 2024, apresentando peso normal para a raça e desenvolvimento saudável em exames veterinários. Para validar a eficácia do procedimento, foi realizado um teste cutâneo em um voluntário humano com alergia diagnosticada, e o extrato dos animais editados não provocou qualquer reação.
Atualmente, Bailey reside em Nova York e Alfie na Flórida, ambas sob os cuidados de tutores e em acompanhamento constante.
Embora a Kindred Companion Sciences esteja pleiteando a patente da tecnologia, a transição do laboratório para o mercado ainda depende de novos estudos, incluindo a realização de testes de reação com um número maior de voluntários.