Cientistas criam simulador óptico de buraco negro para observar a radiação de Hawking em laboratório
Físicos da Universidade de Paderborn, em parceria com instituições de Israel e México, simularam a radiação de Hawking usando pulsos de laser em fibras ópticas. O estudo, publicado na Nature, validou a teoria de Stephen Hawking e detectou o feedback energético entre a radiação e sua fonte
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Físicos da Universidade de Paderborn, na Alemanha, desenvolveram um análogo óptico capaz de simular as propriedades de um buraco negro, resultando na observação de um efeito equivalente à radiação de Hawking. O estudo, publicado na revista Nature, foi conduzido por Lorenzo M. Procopio em colaboração com pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, e do Cinvestav, no México.
A metodologia consistiu no uso de pulsos de laser ultrarrápidos dentro de uma fibra óptica preparada para mimetizar o horizonte de eventos, que é a fronteira onde a luz não consegue mais escapar de um buraco negro. Enquanto um pulso de laser alterava as propriedades ópticas do material para criar essa região, outro pulso era utilizado para analisar a radiação gerada no ambiente artificial.
O experimento validou a teoria proposta por Stephen Hawking em 1974, a qual prevê que efeitos quânticos próximos ao horizonte de eventos provocam a emissão de uma radiação extremamente fraca. Esse processo sugere que buracos negros perdem energia gradualmente e podem evaporar ao longo do tempo. Como essa radiação é impossível de ser detectada no espaço devido à interferência do fundo de radiação do universo, a recriação em laboratório torna-se a alternativa para estudar tais fenômenos.
Um dos principais avanços do trabalho alemão foi a detecção do feedback, ou seja, a maneira como a radiação emitida impacta o sistema que a originou. Os cientistas observaram uma pequena alteração no pulso de laser responsável pelo efeito, sinalizando o intercâmbio energético onde a perda de energia da radiação afeta a fonte.
Os dados indicam que a radiação de Hawking ocorre por meio de um mecanismo direto em ambientes ópticos não lineares, divergindo de modelos anteriores que descreviam o fenômeno como uma cadeia complexa de interações quânticas. Para Lorenzo M. Procopio, essa descoberta simplifica a compreensão teórica e oferece novas possibilidades de cálculo para efeitos semelhantes, podendo inclusive esclarecer a origem da radiação no contexto da gravidade.
A precisão da simulação permite que a equipe explore questões fundamentais da física moderna, como a gravidade quântica e o paradigma da informação. Embora o modelo de luz não substitua um objeto astronômico real, ele comprova que o comportamento previsto por Hawking há mais de 50 anos se manifesta exatamente conforme a teoria quando as condições são replicadas.