Ciência

Cientistas descobrem corais vivos na costa do Benim após seis décadas de classificação como mortos

10 de Agosto de 2026 às 15:06

Cientistas descobriram corais vivos em águas profundas na costa do Benim, no Golfo da Guiné, após seis décadas de classificação como mortos. A expedição identificou um recife mesofótico com oito tipos de coral e oito espécies de peixes. O achado foi detalhado na revista *Frontiers in Marine Science

Cientistas descobrem corais vivos na costa do Benim após seis décadas de classificação como mortos
SMARTEX/ROV Isis

Cientistas identificaram um ecossistema de corais em águas profundas na costa do Benim, no Golfo da Guiné, que permaneceu classificado como morto por aproximadamente seis décadas. O achado, detalhado na revista Frontiers in Marine Science, foi possível graças a uma expedição que utilizou sonares, câmeras de alta profundidade e um robô submarino.

O resgate de um ecossistema esquecido

A existência de estruturas a mais de 50 metros de profundidade na região já havia sido registrada em campanhas de pesca na década de 1960. Naquela época, porém, a análise técnica indicava que os corais não possuíam vida. O cenário mudou quando Gérard Zinzindohoué, do Instituto de Pesquisas Pesqueiras e Oceanológicas do Benim, retornou à área para investigar a composição do fundo do Atlântico.

A localização das colônias exigiu o mapeamento de 11,5 km do leito marinho via sonar. Após enfrentar dificuldades técnicas e a incerteza do ambiente marítimo, a equipe detectou duas formações que, por meio de imagens, revelaram-se colônias de corais ativas e habitadas por peixes, refutando a ideia de que se tratava apenas de detritos geológicos.

Características do recife mesofótico

A descoberta foi classificada como um recife mesofótico. Diferente das formações costeiras superficiais, esse tipo de ecossistema se desenvolve em profundidades maiores, onde a incidência de luz é reduzida. Essas comunidades costumam apresentar-se de forma fragmentada, distribuindo-se em manchas sobre superfícies rochosas que favorecem o crescimento do coral.

Com o suporte tecnológico do National Geographic Exploration Technology Lab, os pesquisadores catalogaram oito tipos de coral e oito espécies de peixes. A biodiversidade local inclui:

  • Peixe-anjo da Guiné;
  • Pargo dourado africano;
  • Peixe-cirurgião de Monrovia;
  • Salmão-de-água-doce da África Ocidental;
  • Peixe-borboleta de três listras;
  • Diversas espécies de damiselas.

Este é o primeiro registro confirmado de um ecossistema de corais mesofóticos vivos na plataforma continental do Golfo da Guiné.

Limitações e perspectivas da pesquisa

Embora registros históricos sugiram a existência de um recife com cerca de 40 quilômetros de extensão paralelo à costa do Benim, a expedição analisou apenas uma fração reduzida dessa área. Devido ao número limitado de observações visuais, a equipe ainda não consegue determinar a extensão total da estrutura ou o seu atual estado de conservação.

Como não houve a coleta de amostras diretas, a identificação taxonômica dos corais depende de futuras missões. Além disso, permanece a dúvida se o recife estava efetivamente morto nos anos 1960 e passou por um processo de recuperação ou se a avaliação inicial estava equivocada. Para a equipe de pesquisa, o evento evidencia o potencial de novas descobertas de recifes esquecidos nos oceanos da África Ocidental.

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