Ciência

Cientistas descobrem ecossistema ativo de fungos e invertebrados em rochas sob os Grandes Lagos

14 de Outubro de 2026 às 18:09 3 min de leitura

Cientistas identificaram um ecossistema de fungos, tardígrados e vermes na formação rochosa Antrim Shale, sob os Grandes Lagos. A comunidade, isolada há mais de 11 mil anos, apresenta atividade metabólica e inclui 689 espécies de fungos

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Cientistas descobrem ecossistema ativo de fungos e invertebrados em rochas sob os Grandes Lagos
Quinn Moon / Universidad de Michigan

Cientistas descobriram um ecossistema ativo e diversificado em profundidades rochosas sob a região dos Grandes Lagos, nos Estados Unidos. A comunidade, composta por fungos, tardígrados e pequenos vermes, sobrevive isolada da superfície, utilizando os componentes das próprias rochas para se manter. O estudo, publicado no The ISME Journal, revela que esses organismos habitam a formação rochosa Antrim Shale.

A vida no subsolo profundo

Para acessar esse ambiente, a equipe de pesquisa analisou a água de poços de gás perfurados entre 200 e 500 metros de profundidade. A datação isotópica indica que essa água permaneceu separada do exterior por mais de 11 mil anos, sugerindo que bactérias e fungos migraram para a região durante a última glaciação, aproveitando o degelo para atravessar as camadas porosas do solo.

Anteriormente, a presença de DNA de organismos eucariotas em profundidades semelhantes era vista como um sinal de seres transitórios ou inativos. No entanto, a detecção de metano e dióxido de carbono na água comprova que esses microrganismos possuem atividade metabólica e extraem recursos da rocha de argila. Quinn Moon, cientista ambiental da Universidade de Michigan, afirma que esses habitats escuros abrigam comunidades autênticas capazes de prosperar em condições extremas.

Diversidade biológica e rede alimentar

A pesquisa catalogou 689 espécies de fungos, das quais 13 são descritas pela primeira vez. A densidade populacional é expressiva: algumas gotas de água apresentam cerca de 250 células fúngicas, volume comparável ao encontrado em amostras de água marinha.

Além dos fungos, a identificação de tardígrados e pequenos vermes — invertebrados conhecidos pela alta resistência ambiental — indica a existência de uma rede alimentar subterrânea mais complexa do que a ciência previa até então.

Impacto na dinâmica do carbono

A descoberta altera a compreensão sobre o carbono enterrado em profundidades terrestres. Enquanto a visão tradicional sugeria que esse carbono permaneceria aprisionado por longos períodos, os dados mostram que a interação de fungos e bactérias pode transformá-lo e gerar gases.

Tim James, biólogo evolutivo da Universidade de Michigan, destaca que, independentemente da origem desses fungos, eles possuem adaptações que permitem o crescimento e a influência direta na dinâmica do carbono nas profundezas da Terra.

O estudo expande os limites conhecidos dos ecossistemas subterrâneos, demonstrando que formações rochosas semelhantes ao redor do globo podem abrigar vida complexa. A evidência de que eucariotas podem ser abundantes em águas isoladas desde a Era do Gelo redefine a percepção sobre a habitabilidade de ambientes sem luz e sob pressão.

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