Ciência

Cientistas desenvolvem vacinas para prevenir a formação de tumores em pacientes com a síndrome de Lynch

21 de Agosto de 2026 às 06:04

Cientistas nos Estados Unidos e Reino Unido desenvolvem três vacinas para prevenir tumores em pacientes com a síndrome de Lynch. Um imunizante da Nouscom reduziu lesões pré-cancerosas em testes com 45 voluntários, enquanto a Universidade de Oxford testa uma opção de RNA mensageiro da Moderna

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Cientistas desenvolvem vacinas para prevenir a formação de tumores em pacientes com a síndrome de Lynch
Pexels/Frank Meriño

Cientistas desenvolvem vacinas para interromper a formação de tumores em pacientes com a síndrome de Lynch, uma alteração genética herdada que eleva drasticamente a probabilidade de desenvolver câncer colorretal e outras neoplasias. Atualmente, três imunizantes estão em fase de desenvolvimento: dois nos Estados Unidos e um no Reino Unido.

A síndrome de Lynch ocorre quando genes responsáveis pelo reparo de incompatibilidade — que corrigem erros no DNA durante a multiplicação celular — não funcionam corretamente. Essa falha facilita o acúmulo de mutações que podem gerar tumores, frequentemente antes dos 50 anos. Enquanto o risco de câncer colorretal na população geral é de cerca de 5%, em pessoas com essa condição genética a probabilidade pode atingir 80%, dependendo do gene afetado.

Avanços na imunoterapia preventiva

Diferente das vacinas contra HPV e hepatite B, que combatem vírus, o desafio atual é treinar o sistema imunológico para reconhecer proteínas anormais produzidas por mutações genéticas.

Um estudo conduzido pelo MD Anderson Cancer Center, publicado na revista Nature Medicine, testou um imunizante da empresa suíça Nouscom em 45 voluntários. A vacina instrui o organismo a identificar 209 alterações típicas de lesões pré-cancerosas. Os resultados indicaram:

  • Aumento da atividade de células T (responsáveis pela eliminação de tumores);
  • Redução de lesões pré-cancerosas em colonoscopias realizadas um ano após a aplicação;
  • Ausência de pólipos avançados nos pacientes testados.

Devido ao desempenho promissor, o pesquisador Eduardo Vilar-Sanchez planeja iniciar um estudo de maior escala no início do próximo ano.

Outras abordagens e tecnologias

Além da iniciativa da Nouscom, a Universidade de Oxford iniciou testes com uma vacina da Moderna, que utiliza a tecnologia de RNA mensageiro. Paralelamente, aguardam-se os resultados de um estudo comparando a vacina Tri-Ad5, da ImmunityBio, com placebo, focando em diferentes marcadores tumorais.

Impacto no diagnóstico e prevenção

A síndrome de Lynch afeta aproximadamente 1 em cada 279 pessoas. Atualmente, o protocolo preventivo exige que esses pacientes realizem colonoscopias anuais para a remoção de pólipos, frequência superior à recomendada para a população comum. A condição também aumenta a vulnerabilidade a tumores de endométrio, pâncreas, estômago, ovário, pele e certos tipos de tumores cerebrais.

O diagnóstico da síndrome tem se tornado mais frequente devido à expansão dos testes genéticos, especialmente para indivíduos com histórico familiar de câncer precoce. Nos Estados Unidos, onde cerca de 158 mil pessoas são diagnosticadas com câncer colorretal anualmente, observa-se um crescimento de casos em adultos jovens.

Independentemente de predisposição genética, a recomendação médica é a busca por avaliação profissional ao notar sintomas como sangue nas fezes, perda de peso inexplicada, cólicas abdominais ou alterações persistentes no hábito intestinal, como diarreia e prisão de ventre.

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