Ciência

Cientistas do CERN transportam antimatéria fora de ambiente fixo de laboratório pela primeira vez

02 de Maio de 2026 às 12:07

Cientistas do CERN transportaram entre 100 e 1.000 antiprótons por um trajeto de 5 km a 8 km na Suíça em 24 de março de 2026. A operação utilizou o sistema BASE-STEP e armadilhas de Penning para manter as partículas suspensas e estáveis durante o movimento

Cientistas do CERN superaram uma barreira fundamental da física moderna ao transportar antimatéria fora de um ambiente fixo de laboratório. Em 24 de março de 2026, um experimento inédito levou antiprótons por estrada, percorrendo entre 5 km e 8 km dentro do complexo da instituição, próximo a Genebra, na Suíça.

A operação utilizou o sistema BASE-STEP, um dispositivo que pesa entre 850 kg e 1 tonelada devido à sua estrutura de contenção, sistemas de resfriamento e ímãs supercondutores. O transporte foi viabilizado por meio de uma armadilha de Penning, tecnologia que emprega campos elétricos e magnéticos para manter partículas carregadas suspensas no espaço. Para evitar a aniquilação imediata — que ocorre quando a antimatéria, composta por partículas com propriedades opostas às da matéria comum, toca qualquer superfície física —, os antiprótons foram mantidos em um dispositivo criogênico, flutuando sem contato com as paredes do recipiente.

Durante o teste, foram transportadas entre 100 e 1.000 antiprótons, com a estabilidade confirmada de aproximadamente 92 partículas. Embora a massa seja insignificante e a energia que seria liberada em caso de aniquilação total fosse mínima, o foco do estudo foi a viabilidade técnica. O sucesso do experimento prova que a antimatéria pode permanecer estável em movimento, desde que submetida a condições rigorosas de controle.

A mobilidade dessas partículas resolve um problema crítico de precisão nas medições do CERN, que costumam sofrer interferências magnéticas do próprio laboratório. Ao deslocar os antiprótons para locais mais estáveis, os pesquisadores buscam aprimorar a compreensão sobre a predominância da matéria sobre a antimatéria no universo.

Além do campo da física teórica, a descoberta apresenta implicações para a medicina. Atualmente, tratamentos de radioterapia dependem de aceleradores fixos de alto custo. A possibilidade de transportar antimatéria com segurança abre caminho para a criação de dispositivos médicos móveis e a descentralização de terapias baseadas em partículas.

O experimento marca a transição da antimatéria de um material restrito a instalações fixas para um recurso potencialmente transportável. As próximas etapas da pesquisa visam aumentar a quantidade de partículas transportadas e a distância percorrida, buscando expandir a tecnologia para além do estágio experimental.

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