Cientistas documentam pela primeira vez sistema de água de baixa salinidade sob o Oceano Atlântico
A Expedição 501 IODP-NSF documentou um sistema de água de baixa salinidade a quase 200 metros sob o leito do Oceano Atlântico, na costa de Nova Inglaterra. A operação ocorreu entre maio e agosto de 2025 com 40 cientistas de 13 países. As amostras de sedimentos foram analisadas no centro Marum da Universidade de Bremen
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A Expedição 501 IODP³-NSF documentou, pela primeira vez, a existência de um sistema de água de baixa salinidade localizado sob o Oceano Atlântico, em sedimentos próximos à costa leste dos Estados Unidos. A descoberta ocorreu na região de Nova Inglaterra, ao sul do Cape Cod, onde pesquisadores perfuraram o fundo oceânico e extraíram núcleos de sedimento da plataforma continental.
O sistema foi identificado a quase 200 metros de profundidade em relação ao leito marinho. A estrutura opera de forma análoga aos aquíferos terrestres, com camadas de areia e sedimentos que armazenam a água, enquanto níveis argilosos funcionam como barreiras naturais, mantendo a massa de água "fria" isolada sob a camada de água salgada do oceano.
Embora a possibilidade de reservas subterrâneas no mar fosse conhecida desde 1976, nunca se havia conseguido documentar e amostrar diretamente um sistema dessa magnitude. A operação, realizada entre maio e agosto de 2025, contou com 40 cientistas de 13 países. Após a coleta em alto mar, a equipe analisou as amostras no Bremen Core Repository, no centro Marum da Universidade de Bremen, para reconstruir a história do aquífero.
Brandon Dugan, da Colorado School of Mines e co-diretor científico da missão, destacou que a presença de água de baixa salinidade em múltiplos tipos de sedimentos, tanto marinhos quanto terrestres, é fundamental para compreender as condições de formação do sistema.
Existem diferentes hipóteses para a origem dessa massa hídrica. Os pesquisadores investigam se a água ficou retida em períodos em que o nível do mar estava 100 metros abaixo do atual, ou se ela se formou sob camadas de gelo e lagos glaciais em ciclos glaciais ocorridos há aproximadamente 20 mil ou 450 mil anos.
A etapa seguinte do estudo, conduzida por pesquisadores como Rebecca Robinson, da Universidade de Rhode Island, foca na datação precisa da água subterrânea para detalhar sua evolução. Além disso, a descoberta possibilita a análise de microrganismos presentes nos sedimentos e a avaliação de se sistemas similares podem ter relevância diante de cenários futuros de escassez hídrica.