Ciência

Cientistas documentam pela primeira vez sistema de água de baixa salinidade sob o Oceano Atlântico

29 de Maio de 2026 às 12:19

A Expedição 501 IODP-NSF documentou um sistema de água de baixa salinidade a quase 200 metros sob o leito do Oceano Atlântico, na costa de Nova Inglaterra. A operação ocorreu entre maio e agosto de 2025 com 40 cientistas de 13 países. As amostras de sedimentos foram analisadas no centro Marum da Universidade de Bremen

Cientistas documentam pela primeira vez sistema de água de baixa salinidade sob o Oceano Atlântico
YouTube/ECORD_IODP

A Expedição 501 IODP³-NSF documentou, pela primeira vez, a existência de um sistema de água de baixa salinidade localizado sob o Oceano Atlântico, em sedimentos próximos à costa leste dos Estados Unidos. A descoberta ocorreu na região de Nova Inglaterra, ao sul do Cape Cod, onde pesquisadores perfuraram o fundo oceânico e extraíram núcleos de sedimento da plataforma continental.

O sistema foi identificado a quase 200 metros de profundidade em relação ao leito marinho. A estrutura opera de forma análoga aos aquíferos terrestres, com camadas de areia e sedimentos que armazenam a água, enquanto níveis argilosos funcionam como barreiras naturais, mantendo a massa de água "fria" isolada sob a camada de água salgada do oceano.

Embora a possibilidade de reservas subterrâneas no mar fosse conhecida desde 1976, nunca se havia conseguido documentar e amostrar diretamente um sistema dessa magnitude. A operação, realizada entre maio e agosto de 2025, contou com 40 cientistas de 13 países. Após a coleta em alto mar, a equipe analisou as amostras no Bremen Core Repository, no centro Marum da Universidade de Bremen, para reconstruir a história do aquífero.

Brandon Dugan, da Colorado School of Mines e co-diretor científico da missão, destacou que a presença de água de baixa salinidade em múltiplos tipos de sedimentos, tanto marinhos quanto terrestres, é fundamental para compreender as condições de formação do sistema.

Existem diferentes hipóteses para a origem dessa massa hídrica. Os pesquisadores investigam se a água ficou retida em períodos em que o nível do mar estava 100 metros abaixo do atual, ou se ela se formou sob camadas de gelo e lagos glaciais em ciclos glaciais ocorridos há aproximadamente 20 mil ou 450 mil anos.

A etapa seguinte do estudo, conduzida por pesquisadores como Rebecca Robinson, da Universidade de Rhode Island, foca na datação precisa da água subterrânea para detalhar sua evolução. Além disso, a descoberta possibilita a análise de microrganismos presentes nos sedimentos e a avaliação de se sistemas similares podem ter relevância diante de cenários futuros de escassez hídrica.

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