Ciência

Cientistas dos Estados Unidos desenvolvem anticorpos que bloqueiam a entrada do vírus de Epstein-Barr nas células

14 de Setembro de 2026 às 06:10 3 min de leitura

Pesquisadores dos Estados Unidos desenvolveram anticorpos que impedem a entrada do vírus de Epstein-Barr nas células do sistema imunológico. O estudo, publicado na Cell Reports Medicine, isolou 10 moléculas que bloqueiam as proteínas gp350 e gp42 do patógeno. A descoberta visa proteger grupos de risco, como pacientes transplantados, e seguirá para ensaios clínicos em humanos

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Cientistas dos Estados Unidos desenvolvem anticorpos que bloqueiam a entrada do vírus de Epstein-Barr nas células
NIAID

Cientistas dos Estados Unidos identificaram anticorpos capazes de bloquear a entrada do vírus de Epstein-Barr (EBV) nas células do sistema imunológico. O estudo, publicado na revista Cell Reports Medicine, detalha a criação de moléculas que impedem a interação do patógeno com as células B (glóbulos brancos), etapa fundamental para a infecção.

O EBV é extremamente difundido, estimando-se que atinja 95% da população adulta. Na maioria dos casos, a infecção é assintomática ou se manifesta como mononucleose infecciosa, permanecendo no organismo em estado latente por toda a vida. Essa persistência é o ponto central da preocupação médica, já que o vírus está associado ao surgimento de esclerose múltipla, diversos tipos de câncer e outras complicações graves em indivíduos com defesas imunológicas fragilizadas.

A estratégia de bloqueio proteico

A pesquisa, conduzida por especialistas do Fred Hutchinson Cancer Center e da Universidade de Washington, focou em duas proteínas da superfície viral: a gp350 e a gp42. Ambas são essenciais para que o vírus consiga penetrar nas células de defesa. O objetivo dos pesquisadores foi desenvolver anticorpos que bloqueassem essas estruturas, impedindo não apenas a infecção inicial, mas também a reativação do vírus após o período de latência.

Para viabilizar a compatibilidade com o organismo humano, a equipe utilizou ratos geneticamente modificados para a produção de anticorpos. O processo resultou no isolamento de 10 novas moléculas:

  • Oito anticorpos direcionados à proteína gp42;
  • Dois anticorpos direcionados à proteína gp350.

Durante a fase de testes em modelos animais com sistema imunológico similar ao humano, um desses candidatos demonstrou eficácia superior na proteção contra a infecção.

Impacto em pacientes transplantados

A descoberta possui aplicação crítica para pessoas que passaram por transplantes de órgãos ou de medula óssea. Como esses pacientes utilizam medicamentos imunossupressores, a capacidade natural de controlar o EBV é reduzida, o que pode levar ao transtorno linfoproliferativo pós-transplante (PTLD). Nessa condição, os linfócitos proliferam de maneira descontrolada, podendo gerar tumores fatais. A remoção do vírus da corrente sanguínea surge como uma via para mitigar esse risco.

O bioquímico Andrew McGuire, integrante do estudo, classificou o resultado como um avanço significativo para a comunidade científica e para grupos de risco, após anos de busca por uma proteção viável contra o patógeno. Além disso, a metodologia empregada pode ser adaptada para a descoberta de anticorpos contra outros agentes infecciosos.

O projeto agora caminha para a fase de testes de segurança e ensaios clínicos em humanos, a fim de validar se a proteção observada em laboratório se mantém em pacientes reais.

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