Ciência

Cientistas encontram estromatolitos em cratera de meteorito na Coreia do Sul

25 de Maio de 2026 às 12:09

Geólogos identificaram estromatolitos formados entre 23.400 e 14.600 anos atrás no cráter de Jeokjung-Chogye, na Coreia do Sul. As estruturas minerais de 10 a 20 cm de diâmetro surgiram em um sistema hidrotermal originado por impacto de meteorito. O estudo foi publicado na Nature Communications Earth & Environment

Cientistas encontram estromatolitos em cratera de meteorito na Coreia do Sul
Nature Earth Environ., 2026/Lim et al.

A análise do cráter de Jeokjung-Chogye, localizado em Hapcheon, na Coreia do Sul, revelou a presença de estromatolitos sob a estrutura formada por um impacto de meteorito ocorrido há 42 mil anos. As estruturas minerais laminadas, resultantes da atividade de comunidades microbianas, foram identificadas na parte noroeste da bacia por uma equipe liderada pelo geólogo Jaesoo Lim, do Instituto Coreano de Geociência e Recursos Minerais.

A bacia, cuja origem como impacto foi identificada recentemente após a detecção de materiais extraterrestres misturados a sedimentos terrestres, teria servido como base para um sistema hidrotermal. A energia liberada na colisão fraturou e aqueceu a crosta, permitindo que a água acumulada mantivesse temperaturas elevadas por milênios, simulando o funcionamento de fontes termais.

Os estromatolitos analisados possuem entre 10 e 20 cm de diâmetro. A detecção de európio em sua composição indica que o antigo lago do cráter foi influenciado por processos de calor residual, já que esse elemento apresenta maior solubilidade em fluidos hidrotermais quentes. Complementando essa evidência, os sedimentos da região apresentam concentrações elevadas de cálcio, calcita e enxofre, substâncias associadas a microrganismos adaptados a ambientes de alta temperatura.

Datações por radiocarbono apontam que a formação dessas estruturas microbianas aconteceu entre 23.400 e 14.600 anos atrás. De acordo com Jaesoo Lim, o achado constitui a primeira evidência completa de que estromatolitos podem se desenvolver em lagos hidrotermais originados por impactos de asteroides, criando condições favoráveis para ecossistemas microbianos primitivos.

A descoberta sugere que, durante períodos de intenso bombardeio na Terra primitiva, crateras semelhantes podem ter atuado como refúgios temporários para micróbios e oásis de oxigênio. O estudo, publicado na Nature Communications Earth & Environment, propõe a revisão de outros crateras terrestres e a busca por vestígios de sistemas microbianos enterrados em Marte.

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