Ciência

Cientistas identificam região além de Júpiter que funcionou como central de produção de planetesimais

02 de Junho de 2026 às 15:08

Cientistas do Instituto Max Planck identificaram uma região além da órbita de Júpiter que concentrou poeira e gás para formar planetesimais. O fenômeno ocorreu entre dois e quatro milhões de anos após o surgimento do Sol, conforme estudo publicado no Astrophysical Journal. As simulações computacionais do processo coincidem com a composição química de meteoritos carbonáceos encontrados na Terra

Cientistas identificam região além de Júpiter que funcionou como central de produção de planetesimais
Reuters/NASA JPL-Caltech/Thomas Thomopoulos

Cientistas do Instituto Max Planck para a Pesquisa do Sistema Solar, na Alemanha, identificaram uma estrutura situada além da órbita de Júpiter que teria funcionado como uma central de produção de planetesimais, os blocos rochosos que originaram os planetas do sistema solar. O estudo, publicado no Astrophysical Journal, reconstitui os primeiros milhões de anos após o surgimento do Sol, época em que o sistema era composto por um disco de poeira, gás e fragmentos em expansão.

A análise indica que a pressão do gás criou uma região em formato de anel que aprisionou volumes significativos de poeira. Essa área atuou como uma armadilha, concentrando materiais e viabilizando a formação de corpos celestes progressivamente maiores. De acordo com modelos computacionais, esse fenômeno ocorreu entre dois e quatro milhões de anos após a formação do sistema solar, momento em que Júpiter já havia absorvido a maior parte do material próximo à sua órbita, gerando um vácuo no disco primitivo.

Essa configuração estabeleceu uma barreira natural: enquanto grãos de poeira menores conseguiam migrar para as regiões internas do sistema solar, o planeta gigante bloqueava a passagem de fragmentos mais resistentes e volumosos. Joanna Drążkowska, líder do grupo Lise Meitner sobre formação planetária no instituto, pontuou que a região externa à órbita de Júpiter oferecia as condições ideais para que diferentes tipos de planetesimais se formassem no mesmo local, porém em tempos distintos.

A pesquisa conecta essas simulações a evidências físicas encontradas na Terra, especificamente nas condrinas carbonáceas. Esses meteoritos, ricos em carbono, guardam registros químicos dos primeiros corpos rochosos do sistema. Thorsten Kleine, cosmoquímico e diretor do Instituto Max Planck, destacou que as simulações computacionais do sistema solar primitivo conseguiram reproduzir com precisão os resultados de análises laboratoriais desses meteoritos, que servem como a impressão digital da antiga fábrica de planetesimais.

Com informações de El Confidencial

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