Ciência

Cientistas questionam a viabilidade técnica de ferramenta da CIA usada para localizar piloto no Irã

09 de Abril de 2026 às 18:25

O resgate de um militar americano no Irã gerou divergências entre a versão oficial, que cita uma baliza da Boeing, e relatos sobre o uso da tecnologia "Ghost Murmur" da CIA. Especialistas em física contestam a viabilidade do sistema, alegando que a detecção de batimentos cardíacos a 64 quilômetros é tecnicamente impossível. A operação resultou na destruição de dois helicópteros, sem baixas humanas

Cientistas questionam a viabilidade técnica de ferramenta da CIA usada para localizar piloto no Irã
REUTERS Ints Kalnins

A recuperação de um oficial de sistemas de armas de um caça F-15, abatido em uma região montanhosa no sul do Irã, gerou controvérsias após surgirem relatos divergentes sobre a tecnologia utilizada para localizá-lo. Enquanto a versão oficial indica que o militar sobreviveu por dois dias e foi resgatado por centenas de soldados americanos guiados por uma baliza física de sobrevivência fabricada pela Boeing, fontes governamentais citadas pelo New York Post sugerem o uso de uma ferramenta secreta da CIA chamada "Ghost Murmur".

A referida tecnologia, que teria sido desenvolvida pela divisão Skunk Works da Lockheed Martin, utilizaria inteligência artificial e magnetometria quântica de longo alcance para isolar o sinal eletromagnético de batimentos cardíacos humanos. Donald Trump insinuou que o sistema permitiu a localização do piloto a 64 quilômetros de distância. A operação de resgate, descrita como caótica, envolveu a perda de dois helicópteros que ficaram presos em um campo e precisaram ser destruídos, embora não tenha havido baixas entre os militares.

Entretanto, a comunidade científica contesta a viabilidade técnica do Ghost Murmur. Físicos e especialistas em tecnologia quântica afirmam que a detecção de batimentos cardíacos a tal distância desafia as leis fundamentais da física. Bradley Roth, da Universidade de Oakland, classifica a possibilidade como um salto revolucionário além do estado atual da técnica, enquanto Matt Swayne, do The Quantum Insider, aponta que a aplicação de magnetometria quântica em ambientes externos a longas distâncias excede as capacidades demonstradas atualmente. O professor de física Chad Orzel, do Union College, sugere que a narrativa possa ser uma tentativa de desinformação.

A base científica para o ceticismo reside na natureza dos sinais biomagnéticos. John Wikswo, professor da Universidade de Vanderbilt que estuda campos magnéticos cardíacos desde a década de 1970, explica que o campo magnético do coração é quase imperceptível mesmo a dez centímetros da fonte e decai drasticamente a cada metro. A essa distância, a leitura cairia para uma bilionésima parte da potência original se estivesse a um quilômetro de distância, tornando a detecção a 64 quilômetros tecnicamente impossível.

Além disso, sensores quânticos são extremamente sensíveis ao ruído. Fora de laboratórios controlados e blindados, o magnetismo natural da Terra e a atividade biológica de outros animais cegariam o dispositivo. Estudos recentes reforçam essa limitação: um manuscrito de 2026 indica a necessidade de combinar batimentos repetidos e filtragem avançada para identificação clara, e um experimento de 2024 só conseguiu registrar o pulso de um rato quando o animal estava praticamente tocando o sensor em sala blindada.

Apesar do consenso acadêmico, relatos indicam que o Ghost Murmur teria sido testado em helicópteros Black Hawk para futura integração em caças F-35. A Lockheed Martin não comentou a tecnologia. Diante da impossibilidade física de detectar sinais vitais através de vastos terrenos sem blindagem, a hipótese levantada é de que a história possa ser uma estratégia de desinformação para intimidar adversários ou uma manobra para influenciar o mercado de ações da Lockheed Martin.

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