Ciência

Cientistas recuperam amostras de gelo com bolhas de ar de 6 milhões de anos na Antártida

22 de Maio de 2026 às 15:10

Expedição na Antártida Oriental recuperou amostras de gelo com bolhas de ar de 6 milhões de anos. O estudo, publicado na "Proceedings of the National Academy of Sciences", indica que a região resfriou cerca de 12 °C nesse período

Cientistas recuperam amostras de gelo com bolhas de ar de 6 milhões de anos na Antártida
Austin Carter/COLDEX

Uma expedição científica na Antártida Oriental recuperou amostras de gelo que preservam bolhas de ar de 6 milhões de anos, transformando os núcleos de Allan Hills em um registro climático inédito. O estudo, publicado na "Proceedings of the National Academy of Sciences", detalha a extração de cilindros de gelo que selaram a atmosfera de um período terrestre caracterizado por temperaturas mais elevadas e níveis do mar superiores aos atuais.

A obtenção desses dados foi viabilizada por condições geológicas específicas da região, onde o frio, o vento e a lentidão do movimento glacial mantiveram o gelo antigo próximo à superfície. Isso permitiu que a equipe de pesquisa perfurasse apenas entre 100 e 200 metros nas margens da camada de gelo, profundidade significativamente menor do que os 2.000 metros habitualmente necessários para alcançar núcleos antigos em outras partes da Antártida Oriental.

A datação direta do gelo e do ar foi realizada por meio de medições do isótopo do gás nobre argônio, método que se diferencia de técnicas baseadas em inferências externas. O trabalho foi coordenado por Sarah Shackleton, do Woods Hole Oceanographic Institution, e John Higgins, da Princeton University, ambos integrantes do centro COLDEX — colaboração liderada pela Oregon State University que reúne 15 instituições de pesquisa dos Estados Unidos.

Embora o registro de Allan Hills não apresente continuidade, ele fornece recortes temporais mais remotos do que os disponíveis anteriormente. De acordo com Shackleton, essas amostras funcionam como ferramentas que permitem visualizar o planeta em épocas muito mais distantes do que se acreditava ser possível.

As análises de isótopos de oxigênio revelaram que a região passou por um resfriamento gradual de aproximadamente 12 °C ao longo dos últimos 6 milhões de anos. Com base nesses resultados, as próximas etapas da pesquisa focam na reconstrução da evolução do calor oceânico e dos gases de efeito estufa, com novas expedições planejadas para a busca de gelo ainda mais antigo.

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