Cientistas utilizam eclipse solar total para estudar comportamento de animais e a coroa solar
Cientistas monitoram um eclipse solar total nesta quarta-feira (12) em regiões do Hemisfério Norte para coletar dados de biologia e astrofísica. Na Espanha, o projeto EcoEclipse analisa o comportamento de aves e morcegos, enquanto o Observatório de Javalambre testa um novo espectrômetro para registrar a coroa solar. Equipes da CEA e ESA estudam a atmosfera solar para compreender a origem de tempestades solares
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Pesquisadores de diversas áreas da ciência se mobilizam para a ocorrência de um eclipse solar total nesta quarta-feira (12). O fenômeno, que percorrerá regiões do Hemisfério Norte — abrangendo desde o norte da Rússia até Portugal e Espanha —, é visto como uma janela temporal rara para a coleta de dados em campos que vão da biologia à astrofísica.
Impactos na fauna e flora
Na Espanha, o projeto EcoEclipse focará na observação de como a escuridão repentina afeta o comportamento de seres vivos. A iniciativa, liderada por Airam Rodríguez, do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha, utilizará gravações de som ambiente nos dois dias anteriores, durante e após o evento para comparar a atividade das espécies com dias comuns.
O estudo prioriza a análise de morcegos e aves, especialmente por causa da regulação dos ritmos diários dessas espécies pela luz. No caso dos morcegos, a expectativa é que o efeito seja intensificado por o eclipse ocorrer ao entardecer. Os dados brutos serão disponibilizados para que a comunidade científica possa analisar alterações no ruído ambiental.
Experiências anteriores demonstram a variabilidade dessas reações:
- Em 2024, nos Estados Unidos, 29 de 52 espécies de aves monitoradas alteraram seu comportamento vocal, alternando entre o silêncio e a emissão de cantos semelhantes ao amanhecer.
- Em 2017, em um zoológico americano, foram registrados comportamentos em elefantes, primatas, ursos-pardos, tartarugas, focas, flamingos e papagaios.
Quanto à botânica, as respostas das plantas permanecem desconhecidas. Embora um monitoramento de 2022 na Itália tenha sugerido que árvores sincronizaram sinais bioelétricos horas antes de um eclipse parcial, estudos posteriores não confirmaram a correlação. A bióloga Aina S. Erice ressalta que, diante de mais de 300 mil espécies vegetais, a hipótese de que algumas respondam ao fenômeno ainda é válida.
Avanços na observação solar
No campo da astrofísica, o Observatório Astrofísico de Javalambre, na Espanha, será palco do teste do Espectrômetro de Fenda Circular (CISS). Desenvolvido por cientistas da Itália, o dispositivo busca decompor a luz solar em comprimentos de onda com maior agilidade que as tecnologias atuais.
Diferente dos modelos lineares, o protótipo do CISS consegue registrar o espectro de toda a coroa solar — a camada externa da atmosfera do Sol — em uma única fotografia. O sucesso deste teste pode viabilizar a aplicação da tecnologia em futuras missões espaciais. Para efeito de comparação, o espectrômetro UVCS, utilizado entre 1996 e 2013 pela Nasa e pela Agência Espacial Europeia (ESA), demandava diversas horas para mapear a mesma região.
Clima espacial e magnetismo
A compreensão da atividade solar é a prioridade de equipes da Comissão Francesa de Energia Atômica (CEA) e da ESA. O objetivo é analisar o campo magnético e a atmosfera solar para entender a origem das tempestades solares. Essas explosões de plasma, ao atingirem o escudo magnético da Terra, podem causar:
- Interrupções em redes de comunicação;
- Falhas em satélites;
- Riscos para astronautas;
- Surgimento de auroras nos polos.
A ESA utiliza o evento para validar modelos de previsão de ventos solares, complementando os dados da sonda Solar Orbiter, lançada em 2020. Paralelamente, a missão Proba-3 opera com três espaçonaves sincronizadas para simular minieclipses artificiais.