Ciência

Colisão de estrelas de nêutrons gera a emissão de raios X mais longa já registrada

30 de Setembro de 2026 às 15:01 3 min de leitura

A colisão de estrelas de nêutrons detectada em 4 de julho de 2025 gerou a emissão de raios X mais longa já registrada, com duração de 560 segundos. O fenômeno, ocorrido a 6 bilhões de anos-luz, foi identificado pelo telescópio Einstein Probe e analisado via Very Large Telescope. O estudo sobre a possível formação de um magnetar foi publicado na revista *Science Bulletin

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Colisão de estrelas de nêutrons gera a emissão de raios X mais longa já registrada
University of Warwick/Mark Garlick

A colisão entre duas estrelas de nêutrons gerou um clarão de raios X com duração inédita, permanecendo ativo por quase dez minutos. O fenômeno, catalogado como EP250704a/GRB 250704B, foi detectado em 4 de julho de 2025 e representa a emissão imediata de raios X mais longa já registrada em eventos dessa natureza.

A sequência do evento começou com a detecção de uma explosão de raios gama, a forma mais energética de radiação eletromagnética, que durou apenas 0,4 segundo. Logo em seguida, o telescópio espacial Einstein Probe identificou a emissão de raios X, que se estendeu por aproximadamente 560 segundos.

A natureza do fenômeno e a hipótese do magnetar

As estrelas de nêutrons são núcleos extremamente densos resultantes do colapso de estrelas massivas ao fim de seus ciclos de vida. Quando dois desses corpos colidem, liberam volumes massivos de energia e produzem ondas gravitacionais, que são deformações no tecido do espaço-tempo.

Tradicionalmente, a identificação dessas colisões ocorre por meio de surtos curtos de raios gama, que geralmente não ultrapassam dois segundos. A persistência do brilho neste caso específico levou a equipe de pesquisadores a levantar a hipótese da formação de um magnetar. Este objeto seria uma estrela de nêutrons com rotação acelerada e um campo magnético intensamente forte, capaz de transferir energia para a matéria ao redor e prolongar a emissão de luz.

Metodologia e localização espacial

Para validar a origem do evento, foi necessário determinar a distância da explosão. Utilizando o Very Large Telescope (VLT), localizado no Chile, os astrônomos calcularam que a luz do fenômeno viajou por mais de 6 bilhões de anos até atingir a Terra. Durante a investigação, a equipe descartou a possibilidade de se tratar de uma supernova, pois não foram encontrados sinais característicos desse processo.

O estudo, publicado nesta quarta-feira (30) na revista Science Bulletin, contou com a participação de Niccolò Passaleva, da Universidade de Roma Tor Vergata. A agilidade na coleta de dados via VLT foi crucial, dado que o brilho de eventos astronômicos desse tipo decai rapidamente.

Impactos para a astronomia

Desde que entrou em operação em janeiro de 2024, o Einstein Probe tem registrado centenas de clarões de raios X em galáxias remotas. Embora alguns estejam ligados ao colapso de estrelas massivas, a origem de muitos permanece desconhecida.

A descoberta indica que emissões prolongadas de raios X podem ser mais frequentes em colisões de estrelas de nêutrons do que se acreditava anteriormente. Esse padrão de sinal pode se tornar uma ferramenta essencial para localizar fontes de ondas gravitacionais: ao identificar um clarão semelhante, outros observatórios podem monitorar a mesma região do céu simultaneamente.

O objetivo futuro dos cientistas é registrar, em um único evento, tanto a emissão prolongada de raios X quanto as ondas gravitacionais, permitindo a observação direta dos minutos subsequentes ao encontro entre esses objetos extremos do Universo.

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