Ciência

Colossal Biosciences inclui antílope-azul em projeto de desextinção por meio de edição genética

03 de Maio de 2026 às 06:09

A Colossal Biosciences incluiu o antílope-azul em seus projetos de desextinção, utilizando a técnica CRISPR para realizar mais de 100 alterações genéticas em células de parentes vivos. O processo baseia-se no mapeamento do genoma de exemplares de museus e no uso de células-tronco e óvulos de espécies atuais. O objetivo é reintroduzir o animal em seu habitat original na África do Sul

A Colossal Biosciences expandiu seu portfólio de desextinção ao incluir o antílope-azul (*Hippotragus leucophaeus*) em seus projetos de biotecnologia, juntando-se a outras espécies como o mamute-lanoso, o dodô, o moa, o tilacino e o lobo-terrível. O animal, catalogado em 1766, foi extinto por volta de 1800 na África do Sul devido à caça intensiva para a obtenção de carne e pele durante a colonização europeia.

A viabilidade técnica do projeto baseia-se na proximidade genética do antílope-azul com espécies ainda existentes, como o antílope-ruão e o antílope-sable. Essa ancestralidade recente facilita a utilização de óvulos e estruturas reprodutivas de animais vivos para a geração de embriões editados. O ponto de partida foi a reconstrução de um genoma detalhado a partir de um dos cinco exemplares preservados em museus globais. Esse mapeamento permitiu identificar as divergências genéticas entre a espécie extinta e seus parentes vivos, orientando as modificações necessárias em células de antílopes-ruão.

A recriação do animal exigirá mais de 100 alterações no código genético, utilizando ferramentas de precisão como o CRISPR. Para mitigar riscos e custos, a equipe utiliza células-tronco pluripotentes, que funcionam como um laboratório intermediário para testar e validar as edições genéticas antes da aplicação em embriões. Outra técnica empregada é a Operação de Unidade de Proteção (OPU), que utiliza ultrassom e agulhas para coletar óvulos de antílopes vivos, como o órix-de-cimitarra e o antílope-ruão, para posterior fertilização laboratorial com material genético editado.

Estudos indicam que o antílope-azul manteve uma diversidade genética baixa, porém estável, por cerca de 400 mil anos, o que auxilia na compreensão sobre a possibilidade de recriar a população com uma base genética limitada. A escolha desta espécie é considerada estrategicamente vantajosa em comparação ao mamute-lanoso, pois a proximidade evolutiva com parentes vivos é maior e o habitat original na África do Sul permanece existindo, facilitando a reintrodução em parceria com organizações ambientais.

Além da recuperação da espécie, o projeto visa gerar conhecimentos aplicáveis à conservação de animais ameaçados, como a gazela-dama, o adax e o saiga. No entanto, a desextinção ainda enfrenta barreiras biológicas. A precisão necessária na transferência nuclear e na fertilização in vitro é extrema, pois qualquer erro entre as centenas de modificações pode inviabilizar o embrião. Embora a edição genética esteja em fases finais e embriões estejam em desenvolvimento, a transição de um embrião para um animal saudável que sobreviva fora do laboratório ainda não foi concretizada em nenhum projeto de desextinção.

O objetivo final é a reintrodução de um animal geneticamente próximo ao original em seu habitat na África do Sul. A empresa reconhece que traços comportamentais e adaptativos podem não ser totalmente reproduzidos apenas via DNA, mas a iniciativa busca reverter o impacto ambiental causado pela ação humana há mais de dois séculos.

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