Ciência

Cometa 10P/Tempel 2 entra em período favorável para observação astronômica a partir de julho

10 de Julho de 2026 às 06:14

O cometa 10P/Tempel 2, com 10 quilômetros de diâmetro e órbita de 5,37 anos, entra em período de observação astronômica. O corpo celeste poderá ser visto a partir de julho na constelação de Capricórnio, com aproximação máxima da Terra em 3 de agosto de 2026

Cometa 10P/Tempel 2 entra em período favorável para observação astronômica a partir de julho
George van Biesbroeck/Dominio Público

O cometa 10P/Tempel 2, corpo celeste com aproximadamente 10 quilômetros de diâmetro, entra em um período favorável para observação astronômica. Embora possua dimensões semelhantes ao objeto responsável pela extinção dos dinossauros, sua trajetória não oferece riscos ao planeta Terra, movimentando-se em uma órbita que transita entre a região interna da órbita de Júpiter e a área próxima ao interior da órbita de Marte.

A descoberta do objeto ocorreu em 4 de julho de 1873, quando o astrônomo alemão Wilhelm Tempel identificou um corpo tênue movendo-se rumo ao sudeste na constelação de Peixes. O acompanhamento durou até 20 de outubro daquele ano, evidenciando que se tratava de um cometa de período curto. Inicialmente, estimou-se que a órbita levava entre cinco e cinco anos e meio, dado refinado em 19 de julho de 1878, quando Tempel o observou novamente, confirmando um retorno a cada 5,16 anos. Medições atuais precisaram esse ciclo para 5,37 anos, característica que torna o 10P/Tempel 2 um objeto relevante para a análise da evolução de cometas ao longo do tempo.

A visibilidade do cometa varia conforme a geometria de sua órbita, alternando entre janelas favoráveis e desfavoráveis. Enquanto anos como 1978, 1988 e 1999 permitiram observações mais simples, datas como 1983, 1994 e 2004 foram marcadas por dificuldades, pois o objeto atingiu o periélio do lado oposto ao Sol.

A próxima aproximação máxima da Terra ocorrerá em 3 de agosto de 2026, mantendo uma distância segura de 0,4144 unidades astronômicas, o que corresponde a cerca de 62 milhões de quilômetros. A partir de julho, o corpo celeste poderá ser visto na constelação de Capricórnio por meio de binóculos ou telescópios de pequeno porte, desde que as condições climáticas permitam. O ápice da observação deve coincidir com o periélio, ponto mais próximo do Sol, quando o cometa se deslocará perto da constelação de Peixes e poderá atingir a magnitude 7.

O fenômeno será visível em ambos os hemisférios, com maior altitude no céu para quem estiver no hemisfério sul. Na ausência de missões espaciais de proximidade, a atual aproximação de um integrante da família de Júpiter possibilita o estudo de como a sublimação de gases e gelo altera a rotação e a composição química desses corpos durante os ciclos de aquecimento e resfriamento em sua órbita solar.

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