Ciência

Consórcio propõe instalação de reator de fusão nuclear em embarcações para descarbonizar indústria marítima

06 de Junho de 2026 às 06:08

Um consórcio de cinco empresas estuda a viabilidade do FusPoB, embarcação de 71,4 metros com reator de fusão nuclear para gerar até 20 megawatts de eletricidade. O projeto, apresentado na feira Posidonia 2026, visa descarbonizar a indústria marítima com um protótipo previsto para 2032

Consórcio propõe instalação de reator de fusão nuclear em embarcações para descarbonizar indústria marítima
nT-Tao

Um consórcio de cinco empresas propõe a instalação de um reator de fusão nuclear em embarcações para descarbonizar a indústria marítima, setor que responde por 90% do comércio mundial e 3% das emissões globais de gases de efeito estufa. O projeto, apresentado na feira Posidonia 2026, surge como alternativa ao hidrogênio e à amônia, que enfrentam limitações de infraestrutura e densidade energética, visando a meta de emissões líquidas zero da Organização Marítima Internacional (OMI) para os próximos 25 anos.

A iniciativa, denominada FusPoB (*Fusion Power Barge*), é liderada pelo American Bureau of Shipping (ABS) e pela israelense nT-Tao, com a participação da Siemens Energy, da P&P Marine Consultants e da francesa TEMISTh. O projeto encontra-se atualmente em fase de estudo de viabilidade para analisar os requisitos econômicos, técnicos, regulatórios e de segurança necessários para a implementação da primeira instalação de fusão nuclear flutuante do mundo.

O design da embarcação consiste em um barco-plataforma de 71,4 metros com posicionamento dinâmico redundante (DP2), o que dispensa o uso de âncoras. A estrutura abriga um reator de fusão compacto da nT-Tao, baseado em um stellarator pulsado. Diferente do modelo tokamak, esse sistema de confinamento magnético de plasma oferece estabilidade intrínseca e dimensões que permitem a integração em contêineres padrão. O conjunto é capaz de gerar até 20 megawatts de eletricidade sem emissões de carbono, alimentando dois geradores de vapor de 8.000 kWe.

Em termos de desempenho, o navio possui força de tração de 30 toneladas métricas e velocidade de projeto de 14 nós (25 km/h). Para situações de inoperância do reator principal, um sistema de baterias assegura seis horas de energia de reserva a 8 nós. A tecnologia de fusão é destacada por produzir resíduos radioativos mínimos e eliminar o risco de fusão do núcleo, superando as limitações da fissão nuclear tradicional.

Um dos principais obstáculos do projeto é a ausência de normas de segurança e classificação para reatores de fusão em navios comerciais, já que a energia nuclear marítima era restrita ao setor militar. O ABS coordena o estudo justamente para estabelecer os padrões técnicos que permitam a certificação de tais instalações.

Embora não seja destinado ao transporte de carga ou cruzeiros, o FusPoB foi concebido como uma usina elétrica autônoma e multifuncional. Caso o protótipo previsto para 2032 seja viável, a embarcação poderá atuar no fornecimento de água potável, na remoção de destroços oceânicos e na provisão de energia em regiões sem infraestrutura de rede elétrica.

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