Ciência

Corais fossilizados nas Galápagos revelam que o El Niño tornou-se mais intenso nas últimas décadas

06 de Setembro de 2026 às 06:43 3 min de leitura

Estudo da Universidade de Michigan com corais fossilizados nas Ilhas Galápagos indica que o El Niño tornou-se mais intenso nas últimas décadas. Dados revelam que eventos dos últimos 40 anos foram quase 40% mais fortes que na era pré-industrial. A pesquisa, publicada na Science, associa esse fortalecimento ao aquecimento global

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Corais fossilizados nas Galápagos revelam que o El Niño tornou-se mais intenso nas últimas décadas
Universidad de Míchigan/Julia Cole

A análise de esqueletos de corais fossilizados nas Ilhas Galápagos revelou que a intensidade do fenômeno El Niño aumentou significativamente nas últimas décadas. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Michigan e publicado na revista Science, utilizou esses organismos como arquivos naturais para reconstruir as variações de temperatura no Pacífico tropical ao longo dos séculos.

O registro climático nos corais

A metodologia baseou-se na coleta de amostras de 13 corais, incluindo fragmentos antigos e exemplares atuais. Como esses organismos constroem seus esqueletos de carbonato de cálcio em um ritmo de 1 a 2 cm por ano, eles criam camadas milimétricas que funcionam de forma análoga aos anéis de crescimento das árvores, preservando as condições ambientais da época.

Para mapear as oscilações térmicas do oceano, a equipe analisou dois indicadores químicos específicos:

  • A proporção entre estrôncio e cálcio;
  • A relação entre diferentes isótopos de oxigênio.

A escolha das Ilhas Galápagos foi estratégica, pois a região é um dos pontos onde os sinais do El Niño são mais intensos. Em condições normais, os ventos alísios deslocam as águas quentes para a Indonésia e Austrália, permitindo a ascensão de águas frias próximas à América do Sul. No entanto, quando esses ventos enfraquecem, o calor superficial retorna ao leste, alterando a dinâmica entre a atmosfera e o oceano.

Intensificação do fenômeno

Ao confrontar os dados históricos com os registros modernos, os cientistas identificaram que, durante a maior parte do período analisado, os episódios de El Niño mantiveram uma sucessão estável e menos severa. Essa tendência mudou drasticamente nos últimos tempos.

Os dados indicam que os eventos registrados nos últimos 40 anos foram quase 40% mais intensos do que aqueles ocorridos na era pré-industrial. Julia Cole, professora da Universidade de Michigan e autora principal da pesquisa, afirmou que não há registros no passado com a mesma intensidade dos fenômenos atuais. Além disso, a análise não encontrou fases comparáveis ao período recente nos 1.000 anos anteriores ao meado do século XIX.

Impacto do aquecimento global

Para descartar a possibilidade de que essa mudança fosse fruto de ciclos naturais, a equipe utilizou modelos climáticos que simularam grandes erupções vulcânicas e variações solares. As simulações, contudo, não conseguiram reproduzir uma intensificação dessa magnitude apenas por vias naturais.

Os resultados reforçam a ligação entre o aquecimento global e o fortalecimento do El Niño. Segundo Cole, o aquecimento do planeta está intensificando o fenômeno, o que pode agravar a ocorrência de incêndios, inundações, secas e prejuízos na agricultura e em infraestruturas.

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