Ciência

Corrente de jato provoca aumento na frequência e na intensidade de ondas de calor na Europa

03 de Julho de 2026 às 09:24

Um estudo da Nature Communications indica que a reorganização da corrente de jato em um padrão de "duplo jato" intensifica ondas de calor na Europa. A configuração bloqueia a entrada de ar fresco do Atlântico, aumentando a frequência e a duração de temperaturas extremas, especialmente na Europa Ocidental

Corrente de jato provoca aumento na frequência e na intensidade de ondas de calor na Europa
AEMET

Um mecanismo atmosférico localizado entre 5 e 10 km de altitude, conhecido como corrente de jato, é o responsável pelo aumento na frequência e intensidade das ondas de calor na Europa. De acordo com um estudo publicado na Nature Communications, a reorganização dessa faixa de ventos impede a entrada de ar fresco vindo do Atlântico, especialmente na Europa Ocidental, transformando episódios de calor intenso em situações persistentes.

O fenômeno central ocorre por meio de um padrão chamado "duplo jato", no qual a corrente de jato se divide em duas ramificações, circulando ao norte e ao sul da Eurásia. Essa configuração cria uma zona de bloqueio ou desvio dos sistemas meteorológicos, o que favorece o acúmulo de ar quente na região.

Para chegar a esses resultados, a equipe de pesquisa analisou dados diários de julho e agosto ao longo de 42 anos. Os cientistas definiram ondas de calor prolongadas como períodos de no mínimo seis dias consecutivos em que a temperatura máxima superou o limite dos 10% dias mais quentes de cada localidade.

A análise revelou que as ondas de calor na Europa Ocidental se intensificaram de três a quatro vezes mais rápido do que em outras latitudes médias do hemisfério norte. O padrão de duplo jato explica quase todo o aumento observado na Europa Ocidental e cerca de 30% da tendência geral do continente europeu.

Embora o número de episódios de duplo jato não tenha apresentado mudanças significativas, houve um aumento em sua duração. Efi Rousi, pesquisadora do Instituto de Potsdam para a Pesquisa do Impacto Climático e autora principal do estudo, destaca que a novidade não é a existência de ondas de calor de verão, mas a frequência e a intensidade com que esses extremos ocorrem atualmente.

A persistência dessa configuração atmosférica dificulta a chegada de massas de ar atlánticas que amenizariam as temperaturas, somando-se ao aumento da temperatura de fundo. A pesquisa indica que fatores como o derretimento da neve, as alterações entre terra e oceano e o aquecimento acelerado nas altas latitudes podem estar favorecendo a permanência prolongada dessas duas correntes de jato na região euroasiática.

Com informações de El Confidencial

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