Ciência

Cuidados com cães auxiliam adolescentes com ansiedade social a lidarem melhor com o estresse

23 de Agosto de 2026 às 06:01

Estudo com 514 adolescentes americanos com ansiedade social indica que a convivência e os cuidados ativos com cães estão ligados a estratégias saudáveis de enfrentamento do estresse. A pesquisa aponta que o afeto isolado não gera impacto significativo e que a substituição de vínculos humanos pelo animal pode elevar a ruminação de pensamentos negativos

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Cuidados com cães auxiliam adolescentes com ansiedade social a lidarem melhor com o estresse
Katya Wolf/Pexels

A interação entre adolescentes com ansiedade social e cães pode influenciar a forma como esses jovens lidam com o estresse, mas o benefício não está no simples afeto pelo animal. Um estudo publicado no periódico Journal of Adolescence indica que a companhia e a participação ativa nos cuidados com o cachorro estão associadas a estratégias mais saudáveis de enfrentamento emocional, como a busca por soluções, o controle das emoções e a capacidade de ressignificar problemas.

A pesquisa foi realizada nos Estados Unidos com 514 adolescentes, entre 13 e 17 anos, que apresentavam níveis elevados de ansiedade social. Os pesquisadores analisaram variáveis como o tempo de convivência, o envolvimento nas tarefas de cuidado, a busca pelo animal em momentos de tristeza e a importância do cão em comparação aos amigos.

Comportamentos e saúde emocional

Os dados revelaram que apenas sentir carinho pelo animal não gera impacto significativo nas estratégias de enfrentamento do estresse. A hipótese levantada por Mueller, autora do estudo, é que a execução de ações concretas e a convivência diária permitam ao jovem exercitar comportamentos úteis para lidar com outras situações difíceis da vida.

No entanto, o estudo aponta nuances importantes sobre o apoio emocional:

  • Ruminação: Adolescentes que utilizam o cachorro como principal fonte de apoio emocional apresentaram maior tendência a repetir pensamentos negativos sobre um problema e menor capacidade de reformular esses pensamentos.
  • Substituição social: Jovens que consideram o animal mais importante do que qualquer amigo também demonstraram formas menos saudáveis de lidar com o estresse.

Esses achados sugerem que o animal pode estar ocupando o espaço de conexões humanas ausentes. A preocupação não reside na força do vínculo afetivo, mas se o cão é parte de uma rede de afeto ou se tornou a única fonte de suporte social do adolescente.

Limitações e recomendações

É fundamental diferenciar associação de causalidade. O estudo não comprova que ter ou cuidar de um cachorro melhore a saúde emocional, nem que a adoção reduza a ansiedade ou resolva conflitos interpessoais. Como todos os participantes já possuíam animais, não houve comparação com jovens que não têm cães, e os resultados, focados em pessoas com ansiedade social, não podem ser generalizados para todos os adolescentes.

Para famílias que consideram a adoção de um animal, Mueller recomenda que a decisão considere a vontade de todos os membros da casa, a disponibilidade de tempo para treinamento e cuidados, além da compatibilidade entre a personalidade e o nível de atividade do cão e a rotina familiar.

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