Ciência

Dados do observatório SOHO indicam que a atmosfera da Terra se estende além da Lua

07 de Abril de 2026 às 12:11

Dados do observatório SOHO indicam que a atmosfera terrestre se estende progressivamente até 630 mil quilômetros, abrangendo a órbita lunar. A geocorona, nuvem de hidrogênio que compõe essa camada, mantém a presença de gases em altitudes extremas. O limite de 100 quilômetros da Linha de Kármán é definido por critérios operacionais e legais, não por uma separação física

Dados do observatório SOHO indicam que a atmosfera da Terra se estende além da Lua
NASA

A compreensão científica sobre os limites da Terra foi reavaliada por meio de dados do observatório SOHO, indicando que a atmosfera do planeta não possui um término abrupto, mas se estende progressivamente até se tornar tênue. Essa constatação implica que astronautas de missões históricas, como o programa Apolo, e de projetos atuais, a exemplo da Artemis II, nunca deixaram tecnicamente a atmosfera terrestre.

A análise centra-se na geocorona, uma nuvem de hidrogênio que envolve a Terra e alcança aproximadamente 630.000 quilômetros de extensão, superando a distância da órbita lunar. O pesquisador Igor Baliukin destaca que a Lua orbita dentro dessa atmosfera. A presença de gases é mensurável mesmo em altitudes extremas: a 60.000 quilômetros, detectam-se cerca de 70 átomos de hidrogênio por centímetro cúbico, enquanto nas proximidades da Lua esse número reduz para 0,2 átomos.

Historicamente, a Linha de Kármán, situada a 100 quilômetros de altitude, serviu como divisor prático entre a atmosfera e o espaço. Contudo, a NASA esclarece que esse limite atende a critérios operacionais e legais, não representando uma separação física real. A ausência de uma fronteira clara é evidenciada pela Estação Espacial Internacional que, apesar de orbitar a centenas de quilômetros, sofre atrito com partículas atmosféricas e requer correções periódicas para evitar a queda.

O físico da NASA, Doug Rowland, detalha que a camada onde a humanidade respira se prolonga muito além da percepção imediata, tornando-se apenas mais diluída conforme a altitude aumenta. Além disso, Rowland pontua que a transição espacial ocorre da atmosfera terrestre para a solar, sendo que o ambiente de partículas e radiação só é abandonado ao se atingir a heliopausa. Essa perspectiva altera a noção de vácuo absoluto no espaço, reafirmando que a exploração lunar e as trajetórias de naves espaciais ocorrem dentro de estruturas atmosféricas complexas.

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