Ciência

Descoberta choca: Agulhas pré-históricas usadas não apenas para sobreviver ao frio, mas em rituais religiosos também

18 de Março de 2026 às 12:17

Um estudo recente analisou registros de 59 grupos indígenas da América do Norte e encontrou uma correlação entre temperaturas baixas e uso de perfuradores para atividades relacionadas à termorregulação. Os pesquisadores descobriram que, em áreas frias, havia maior probabilidade de encontrar esses artefatos nos registros arqueológicos. A pesquisa conecta essa invenção ao período Younger Dryas e confirma a teoria da cultura acumulativa

Descoberta choca: Agulhas pré-históricas usadas não apenas para sobreviver ao frio, mas em rituais religiosos também
Wikimedia Commons
Um estudo recente revoluciona a compreensão da evolução humana durante a Era do Gelo. Pesquisadores McKenna Litynski, Sean Field e Randall Haas analisaram registros etnográficos de 59 grupos indígenas da América do Norte e descobriram uma correlação estatisticamente significativa entre temperaturas baixas e o uso de perfuradores (agulhas e punções) para atividades relacionadas à termorregulação. A equipe utilizou a temperatura mínima média do mês mais frio (MTCM) de cada território, obtida da base de dados climática WorldClim. Isso permitiu que eles medissem as condições extremas que realmente testam a capacidade de sobrevivência dos humanos durante aquele período. Os resultados mostraram que, em áreas com temperaturas baixas, havia uma maior probabilidade de encontrar esses perfuradores nos registros arqueológicos. De fato, 52% das observações registradas estavam associadas a atividades relacionadas à termorregulação, como roupas e calçados. No entanto, o que mais chama atenção é que apenas 31% desses usos documentados se referiam diretamente à preservação do calor corporal. O restante era dedicado a outras atividades sem relação direta com o frio, como tatuagens e rituais religiosos. A equipe também conectou essa invenção ao Younger Dryas, um resfriamento abrupto que durou 1.300 anos entre aproximadamente 12.900 e 11.600 anos atrás. Segundo os pesquisadores, esse período de frio extremo "aumentou significativamente a importância da tecnologia de termorregulação". A descoberta mais surpreendente do estudo é que essas ferramentas não foram apenas usadas para sobreviver ao frio. Ao contrário, elas encontraram uma segunda (e terceira e quarta) utilidade em outras atividades da vida cotidiana. Os autores alertam de que seria um erro transformar a agulha em um indicador direto e infalível do uso de roupas de abrigo. "Os pesquisadores devem proceder com cautela ao avaliar agulhas e punções em contextos arqueológicos", afirmaram. O estudo permite estabelecer uma ponte quantitativa entre o clima e o comportamento humano pré-histórico, oferecendo uma nova ferramenta para entender as migrações do Paleolítico. As agulhas de osso mais antigas conhecidas datam de pelo menos 45.000 anos. A teoria da cultura acumulativa é confirmada por esse estudo: a agulha nasceu como solução para o frio, mas expandiu seu repertório funcional ao longo das gerações e impregnou quase todos os aspectos da vida cotidiana.
Com informações de El Confidencial

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