Ciência

Descoberta de regiões gigantes no interior da Terra reaviva teorias sobre a formação planetária

13 de Março de 2026 às 06:19

A tomografia sísmica revelou duas grandes regiões no manto inferior da Terra, chamadas de Large Low-Shear-Velocity Provinces (LLSVPs), localizadas a cerca de 2.900 quilômetros abaixo da superfície. Essas estruturas têm dimensões continentais e podem ser compostas por material quente ou com composição mineral distinta. A origem das LLSVPs ainda é desconhecida, mas hipóteses sugerem que elas possam ser fragmentos do manto de um protoplaneta chamado Theia

A descoberta dos mistérios ocultos no interior da Terra é um campo em constante evolução na geofísica moderna. A tomografia sísmica tem sido fundamental para revelar as estruturas profundas do nosso planeta, permitindo que os cientistas construam uma imagem detalhada de como o manto terrestre se comporta.

Uma das principais descobertas foi a existência de duas grandes regiões no manto inferior da Terra, localizadas cerca de 2.900 quilômetros abaixo da superfície, que foram batizados de Large Low-Shear-Velocity Provinces (LLSVPs). Essas estruturas possuem dimensões continentais e se elevam até 1.000 quilômetros acima da fronteira entre o manto e o núcleo terrestre.

Os cientistas analisaram as ondas sísmicas que atravessam essas regiões e descobriram que elas são mais lentas do que no restante do manto. Isso pode indicar duas possibilidades: a presença de material quente ou com composição mineral distinta.

Estudos subsequentes sugeriram que as LLSVPs podem ser estruturas muito antigas, com pelo menos 500 milhões de anos e possivelmente mais velhas. Além disso, pesquisadores propuseram duas hipóteses para a origem dessas regiões: uma é o cemitério de placas oceânicas subductadas e a outra envolve fragmentos do manto de um protoplaneta chamado Theia que colidiu com a Terra há bilhões de anos.

Recentemente, simulações astrofísicas sugeriram que as LLSVPs podem ser formadas por esses fragmentos do manto de Theia. Além disso, os cientistas descobriram que as bordas dessas estruturas coincidem com regiões onde se formaram grandes províncias ígneas e eventos vulcânicos gigantescos.

A influência das LLSVPs também pode ser sentida no campo magnético da Terra, pois elas afetam a dinâmica do ferro líquido no núcleo externo. A Anomalia Magnética do Atlântico Sul está localizada exatamente acima da borda de Tuzo.

Embora haja avanços significativos nos últimos anos, a questão central ainda permanece em aberto: as LLSVPs são âncoras extremamente estáveis da circulação do manto ou formações geológicas em evolução lenta? A resposta para essa pergunta continua escondida nas profundezas do planeta.

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