Ciência

Dias de risco extremo para incêndios florestais quadruplicaram no sul da Europa desde 1981

31 de Julho de 2026 às 12:28

Estudo na revista Scientific Reports indica que o aquecimento global quadruplicou os dias de risco extremo de incêndios florestais no sul da Europa desde 1981. O fenômeno torna as chamas mais intensas e rápidas, especialmente em Espanha e França

Dias de risco extremo para incêndios florestais quadruplicaram no sul da Europa desde 1981
YouTube/EFE

O sul da Europa enfrenta um aumento crítico na vulnerabilidade a incêndios florestais, impulsionado pelo aquecimento global. Um estudo publicado em 30 de julho na revista Scientific Reports, com a participação do cientista atmosférico Raúl Cordero, detalha como a combinação de calor intenso, baixa umidade, seca e ventos fortes torna o território altamente inflamável, transformando pequenos focos em chamas de comportamento imprevisível, especialmente na Espanha e na França.

Mudança no perfil dos incêndios

A dinâmica dos incêndios na região sofreu uma transformação qualitativa. Embora a quantidade total de ocorrências seja menor do que na década de 1980, os episódios atuais são caracterizados por maior intensidade e velocidade de propagação. O cenário europeu migrou de múltiplos focos reduzidos para eventos menos frequentes, porém com potencial catastrófico e maior dificuldade de controle, o que demanda a reformulação das táticas de prevenção e resposta.

Aumento dos dias de perigo extremo

A análise de dados climáticos revela que as condições favoráveis a incêndios extremos quadruplicaram desde 1981. O comparativo temporal evidencia a gravidade do fenômeno:

  • Entre 1981 e 2010: Ocorriam menos de 10 dias de risco extremo durante o verão.
  • Entre 2016 e 2025: Esse período saltou para até 25 dias de perigo extremo em países como Espanha, França, Portugal, Itália e Grécia.

Em certas áreas do sul do continente, o número de dias com índice meteorológico extremo quase triplicou. Para Raúl Cordero, da Universidade de Groningen, essa intensificação é resultado direto do aquecimento global, onde ondas de calor e temperaturas recordes removem a umidade do solo e da vegetação, criando vastas extensões de combustível disponível.

O ciclo de biomassa e clima

A situação foi agravada por uma sequência meteorológica específica na Europa Ocidental. Invernos úmidos estimularam o crescimento excessivo de mato e plantas; contudo, a transição brusca para climas quentes e secos desidratou rapidamente essa vegetação.

Paralelamente, a evolução das técnicas de combate — como o aprimoramento de brigadas, treinamento, sistemas de contenção e suporte aéreo — conseguiu reduzir a área queimada e o número de focos ao longo das décadas. No entanto, a eficiência na supressão do fogo contribuiu para o acúmulo de biomassa (galhos e matéria orgânica seca). Quando um incêndio surge sob condições climáticas extremas, esse volume de combustível facilita a propagação rápida e intensa.

Eventos recordes

A magnitude desse fenômeno foi observada em casos recentes. Na França, um incêndio a oeste de Burdeos tornou-se o maior desde 1949, chegando a gerar um pirocumulonimbo — nuvem associada a fogos intensos que pode provocar raios e ventos. Na Espanha, o incêndio em Ávila foi o maior registrado desde 1961.

Diante de tais cenários, a conclusão técnica é que, quando as condições climáticas atingem níveis extremos, a propagação do fogo torna-se impossível de impedir, independentemente da quantidade de recursos mobilizados.

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