Dióxido de carbono e odor corporal são os principais fatores que atraem mosquitos aos humanos
A atração de mosquitos fêmeas por humanos ocorre via detecção de dióxido de carbono e odores corporais, variando conforme a microbiota, calor corporal e consumo de álcool. O Aedes aegypti identifica 27 compostos odoríferos, com maior atração por mulheres no segundo trimestre de gestação. Fatores como tipo sanguíneo e cor da pele não influenciam esse processo
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A atração dos mosquitos por seres humanos é resultado de uma combinação complexa de sinais sensoriais, que varia entre os indivíduos e não ocorre de maneira constante. O processo de detecção começa com a exalação de dióxido de carbono (CO2), que serve como o primeiro gatilho para o comportamento dos insetos, sendo capaz de atraí-los a distâncias de várias dezenas de metros. Ao se aproximarem, a cerca de 10 metros do alvo, os mosquitos passam a detectar o odor corporal, que, somado ao CO2, intensifica a atração.
Apenas as fêmeas de mosquitos picam, utilizando receptores especializados para selecionar suas vítimas. Embora existam mais de 3.500 espécies conhecidas, apenas cerca de cem atacam humanos, e um grupo reduzido de seis espécies atua como vetor de doenças graves, como dengue, malária, zika, febre amarela, chikungunya e o vírus do Nilo Ocidental.
Um fator determinante nessa escolha é a composição química do odor humano, resultante da microbiota de cada pessoa. O corpo humano emite entre 300 e 1.000 compostos odoríferos, e a ciência busca identificar quais deles são mais atrativos. Um estudo conduzido por Rickard Ignell com 42 mulheres analisou a atração do *Aedes aegypti* e identificou 27 compostos detectáveis por esses insetos. A pesquisa revelou que mulheres mais atraentes aos mosquitos — especialmente aquelas no segundo trimestre de gestação — produziam quantidades maiores de 1-octen-3-ol, um composto derivado da degradação do sebo.
Outros elementos influenciam a vulnerabilidade, como o calor corporal e o consumo de álcool. O consumo de cerveja, por exemplo, eleva a temperatura do corpo, aumenta a emissão de CO2 e altera os odores da pele. Em um experimento realizado em Burkina Faso, voluntários que beberam cerveja local mostraram-se mais atrativos ao mosquito *Anopheles*, principal transmissor da malária, do que quando consumiram água.
Por outro lado, evidências científicas desmentem crenças populares: a cor dos olhos, dos cabelos, a tonalidade da pele ou o tipo sanguíneo não possuem base sólida que comprove a influência na atração dos dípteros.
A compreensão desses mecanismos torna-se urgente diante da expansão de espécies como o mosquito-tigre para áreas não endêmicas, impulsionada pela urbanização, globalização e aquecimento global. Para mitigar os riscos, as recomendações incluem o uso de repelentes, mosquiteiros e roupas compridas e folgadas, além de moderação no consumo de álcool e refeições leves.