Divulgador científico recria experimento do século XVII que gera flashes luminosos com mercúrio e gases
O divulgador científico Drake Anthony recriou um experimento de 1675 que gera flashes luminosos ao agitar mercúrio em recipientes de vidro sob vácuo. A utilização de gases nobres, como néon e criptônio, alterou as cores das descargas elétricas produzidas pelo efeito *triboelétrico
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Um experimento físico do século XVII, que utiliza a interação entre metais e gases para gerar luz, foi recriado recentemente pelo divulgador científico Drake Anthony, conhecido como Styropyro. O projeto consistiu na construção de um dispositivo capaz de emitir flashes luminosos, semelhantes a pequenos relâmpagos, ao ser agitado, resgatando um fenômeno observado originalmente em 1675.
A base do estudo remonta às descobertas do astrônomo francês Jean Picard. Na época, Picard inseriu mercúrio em um tubo de vidro quase sem ar e notou que o movimento do metal produzia um brilho tênue. Esse efeito é causado pelo processo triboelétrico, no qual a carga elétrica se acumula através do contato e da separação de materiais específicos.
O processo de recriação e os riscos técnicos
Para replicar o dispositivo, Anthony utilizou uma bomba de vácuo para retirar o ar e parte dos vapores de um recipiente de vidro, que foi posteriormente selado com um soprador após a adição de mercúrio. O procedimento apresenta perigos severos, visto que o metal é altamente tóxico e seus vapores podem comprometer o sistema nervoso, além do risco de implosão do vidro sob vácuo.
A primeira tentativa resultou em uma luminosidade baixa, visível apenas no escuro total. O divulgador atribuiu a baixa intensidade à impureza do metal utilizado. Para ampliar a visibilidade do fenômeno, foram testados gases nobres, substâncias conhecidas por emitir cores distintas quando seus átomos sofrem ionização.
A interação entre gases e eletricidade
A mudança significativa ocorreu ao combinar o mercúrio com néon a baixa pressão. Ao agitar a garrafa selada, o movimento do metal promoveu a separação de cargas e gerou descargas elétricas que excitaram o gás, resultando em flashes vermelhos intensos no interior do vidro.
Expandindo a experiência, Anthony testou diferentes formatos de tubos e substituiu o néon por criptônio, o que alterou a cor das faíscas para tons azulados. O experimento também envolveu a aproximação dos recipientes a uma bobina Tesla; o campo elétrico do equipamento forneceu energia extra, intensificando os flashes e demonstrando como diferentes elementos químicos respondem opticamente quando seus elétrons são excitados e retornam a estados de menor energia.
Devido à manipulação de substâncias tóxicas, ao uso de chamas, equipamentos de alta tensão e a fragilidade dos recipientes sob vácuo, a atividade exige ventilação rigorosa e experiência técnica, não sendo recomendável a reprodução doméstica.